Quase trinta anos depois da noite mais violenta do conflito armado em Magdalena Medio, o massacre de 16 de maio de 1998 em Barrancabermeja voltou ao centro do debate público.
Na quarta-feira, 28 de janeiro de 2026, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IAC) realizará audiência pública sobre o caso. Cañas Cano e outros x Colômbiaque Foram investigadas graves violações dos direitos humanos cometidas durante a incursão militar que resultou em assassinatos e desaparecimentos forçados na cidade petrolífera.
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Os documentos que chegaram ao tribunal internacional não só abordam os crimes cometidos pelo sistema das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), mas também colocam sob escrutínio a possível responsabilidade do Estado na aceitação, colaboração e abandono de membros das Forças Populares no contexto militar.
Este é um processo que, além disso, reabre a discussão sobre o verdadeiro campo da justiça pública e a incessante dívida das vítimas.

Na noite de sábado, 16 de maio de 1998, cerca de 50 homens armados entraram em um caminhão na parte sudeste de Barrancabermeja –9 de abril, El Campín, Divino Niño e La Esperanza– e ele é assustador. Eles dispersaram reuniões sociais, tiraram pessoas de suas casas e as separaram de suas famílias com listas nas mãos e com a ajuda de homens mascarados que as identificaram.
Sete pessoas morreram no local e outras 25 desapareceram à força. Com o passar do tempo, soube-se que muitos deles foram levados para o campo, onde foram torturados e mortos.
O impacto foi devastador: não só por causa da escala do crime, mas pelo fato de ter acontecido na cidade por onde passaram os postos de controle militares e policiais, segundo muitos depoimentos, não conseguiram deter os criminosos que não passaram.
O caso avançou no sistema internacional após anos de investigação e denúncias das famílias. Em junho de 2021, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos publicou seu Relatório de Mérito e, após onze prorrogações solicitadas pelo Estado colombiano, decidiu em julho de 2024 que submeteria o documento à Corte Interamericana, por considerar que trata de interesses públicos regionais, como desaparecimentos forçados e cumplicidade estatal.
Embora o Estado tenha aceitado parte da responsabilidade pela sua remoção em 2007, o processo internacional foi mais longe. A Corte vai investigar se houve responsabilidade pela ação, a partir da inação deliberada e sistemática dos representantes do governo que permitiram a ação militar em uma das cidades mais protegidas do país. No julgamento, a Colômbia será representada por agências de aplicação da lei.
Um dos aspectos mais sensíveis deste caso é que, pela primeira vez perante a Corte Interamericana, o equilíbrio da justiça transicional na Colômbia é diretamente questionado. Embora confissões posteriores tenham permitido encontrar os restos mortais e atualizar os acontecimentos, as condenações dos altos funcionários responsáveis pela remoção ainda são raras ou inexistentes.
Para as vítimas e as organizações de direitos humanos, a audiência não é apenas um procedimento judicial, mas uma oportunidade para reafirmar a verdade histórica e exigir uma garantia de que não se repetirá. Em 2018, o governo colombiano pediu desculpas publicamente por não ter protegido o povo de Barrancabermeja, mas este gesto simbólico não fechou as feridas nem resolveu a dívida do tribunal.
As decisões tomadas pelo Tribunal Internacional de Justiça dos Estados Unidos podem ter um impacto significativo: desde medidas de reparação integral até ordens de reforma institucional. Para as famílias das 32 vítimas, o processo representa um fim possível, A comunidade internacional reconhece a magnitude do que aconteceu e atribui clara responsabilidade a um dos episódios mais sombrios da guerra colombiana.















