A ex-parceira de Jeffrey Epstein, Ghislaine Maxwell, pediu formalmente a um juiz federal que anulasse sua condenação por tráfico sexual e a poupasse de uma sentença de 20 anos de prisão. Numa petição de habeas apresentada no tribunal federal de Manhattan, Maxwell argumentou que surgiram novas provas, apontando para múltiplas violações constitucionais durante o seu julgamento. Ele argumenta que a informação retida e a apresentação de falsos testemunhos prejudicaram gravemente o seu julgamento. De acordo com Maxwell, o impacto destas violações levou ao “desespero absoluto” e afirmou que “nenhum júri razoável poderia tê-lo condenado” ao abrigo do actual registo probatório completo.
O pedido surge apenas dois dias antes da divulgação de documentos relacionados com o seu caso, motivada pela assinatura pelo presidente Donald Trump da Lei de Transparência de Ficheiros Epstein. A lei ordena que o Departamento de Justiça divulgue documentos relacionados a Epstein até 19 de dezembro, respondendo às demandas públicas e políticas por transparência. O departamento anunciou planos para divulgar 18 categorias de dados recolhidos na sua extensa investigação sobre tráfico de seres humanos, incluindo mandados de busca, registos financeiros e entrevistas com vítimas.
A equipe jurídica de Maxwell está respondendo à divulgação desses registros e expressando preocupação com o impacto de tal divulgação no caso. O advogado David Markus, representando Maxwell, observou que, embora não se oponha à abertura dos documentos, a divulgação poderia causar-lhe um prejuízo significativo, potencialmente impedindo a possibilidade de um novo julgamento se o seu recurso for concedido. Ele observou que esses registros contêm alegações que não foram testadas ou comprovadas.
Maxwell foi preso em julho de 2020, um ano depois de Epstein ter sido preso por acusações semelhantes. Depois que Epstein morreu por suicídio em uma prisão federal em Nova York, Maxwell foi condenado por tráfico sexual em dezembro de 2021. Recentemente, ele foi entrevistado por altos funcionários do Departamento de Justiça e transferido de uma prisão federal na Flórida para uma prisão no Texas.
O procurador dos EUA, Jay Clayton, confirmou em uma recente entrevista coletiva que o Departamento de Justiça seguirá a lei e a ordem judicial em relação à divulgação dos registros. O juiz Paul A. Engelmayer, que supervisionou o caso, já havia negado um pedido para abrir os documentos antes da divulgação da lei de transparência. Ele confirmou que o material divulgado não tinha nada a ver com ninguém além de Epstein e Maxwell fazendo sexo com menores. Os desenvolvimentos no caso de grande repercussão continuam a chamar a atenção à medida que o desafio jurídico avança.















