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Gustavo Petro confirmou que os Estados Unidos realizaram o “primeiro bombardeio à capital da América do Sul”

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Petro questionou o ataque do Presidente Trump e alertou para o seu impacto na soberania regional e no equilíbrio geopolítico. – Presidência de Crédito da República/Jonathan Ernst/Reuters

Com uma nova mensagem na rede social, na noite deste domingo, 4 de janeiro de 2026, o Presidente da República, Gustavo Petro, provocou mais uma vez fortes reações no cenário internacional após a acusação de que os Estados Unidos foram “o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade”, a respeito da operação militar que levou à prisão do ditador venezuelano Nicolás.

O presidente comparou o ataque a acontecimentos históricos de grande impacto simbólico, como o bombardeio nazista de Guernica, na Espanha, e alertou que foi um episódio que marcaria a memória coletiva da América do Sul para as próximas gerações. Na sua mensagem, Petro sublinhou que “amigos não bombardeiam” e alertou para as consequências políticas, sociais e geopolíticas da intervenção militar dos EUA na região.

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Em uma das seções mais poderosas de sua declaração, Petro garantiu que o bombardeio de Caracas deixa feridas históricas difíceis de curar. “É uma medalha terrível porque não será esquecida pelos sul-americanos durante gerações”, escreveu, rejeitando a lógica da vingança como resposta à situação.

O chefe de Estado confirmou que a violência alimentada pelo ressentimento não traz mudanças profundase utilizou o conceito de “vingança” para ilustrar os perigos de repetir o ciclo de ódio. Segundo Petro, “Revolução não é vingança”porque este tipo de respostas acaba por destruir estruturas sociais e conflitos internos.

Em sua reflexão, o presidente fez uma analogia com a dinâmica da violência em áreas populares, destacou que os jovens brigam entre si por desejo de vingançao que, na sua opinião, mostra que a vingança “mata o coração” e não provoca mudanças estruturais.

O bombardeio na capital
Petro comparou os atentados na capital venezuelana a episódios históricos que deixaram uma marca duradoura na memória coletiva. – Dívida AFP

Além do impacto das operações militares na Venezuela, Petro concentrou boa parte de sua mensagem na necessidade de repensar as relações internacionais na América Latina. Neste contexto, questionou a dependência histórica de alianças externas e exigiu que a integração regional fosse priorizada como indicador da soberania nacional.

A América Latina deve estar unida, caso contrário será tratada como serva e escrava e não como centro do mundo.ou”, disse o presidente, que insistiu que a região deve fortalecer as suas relações políticas, económicas e comerciais antes de olhar para os países estrangeiros.

Petro também argumentou que a cooperação com potências como China e Rússia não é suficientee observou que a forte integração da América Latina deve ser uma prioridade. Nesse sentido, citou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, quando sugeriu que o acordo básico deve ser entre os países do continente.

O presidente usou sua rede
O presidente usou suas redes sociais para rejeitar a lógica da vingança e pedir a unidade latino-americana após a intervenção em Caracas. – crédito @petrogustavo/X

Em sua declaração, o presidente questionou o atual funcionamento da Comunidade Latino-Americana e do Caribe (Celac). assume que o consenso absoluto limita a tomada de decisões estratégicas. Segundo Petro, este sistema permite que alguns governos optem por alinhar-se com interesses estrangeiros, minando assim o estatuto de uma região.

“Não faltam presidentes que preferem permanecer escravos de governos estrangeiros”, escreveu o presidente. ao mesmo tempo, apelou à união dos presidentes regionais para redefinir as prioridades políticas da América Latina face à nova situação geopolítica.

Esta nova declaração soma-se a uma série de mensagens anteriores nas quais Gustavo Petro descreveu a prisão de Nicolás Maduro como “sequestro” morto pelas tropas dos EUAque invadiu Caracas na manhã de sábado, 3 de janeiro, e deteve o chefe do governo venezuelano junto com sua esposa, Cilia Flores.

Com esta mensagem no X,
Com esta mensagem no X, o presidente Gustavo Petro rejeitou a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro; que causou polêmica – crédito @petrogustavo/X

Embora o presidente não tenha repudiado completamente Maduro ou as suas ações, apesar das repetidas queixas de abusos dos direitos humanos, ele insistiu que a intervenção militar viola a soberania da Venezuela e altera o equilíbrio político do continente.

Petro também usou uma marca dura contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem culpou por promover um ataque que, segundo Washington, pretende encerrar a era política na Venezuela, mas, para o presidente colombiano, abre um perigoso precedente histórico para a América Latina.



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