Com uma nova mensagem na rede social, na noite deste domingo, 4 de janeiro de 2026, o Presidente da República, Gustavo Petro, provocou mais uma vez fortes reações no cenário internacional após a acusação de que os Estados Unidos foram “o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade”, a respeito da operação militar que levou à prisão do ditador venezuelano Nicolás.
O presidente comparou o ataque a acontecimentos históricos de grande impacto simbólico, como o bombardeio nazista de Guernica, na Espanha, e alertou que foi um episódio que marcaria a memória coletiva da América do Sul para as próximas gerações. Na sua mensagem, Petro sublinhou que “amigos não bombardeiam” e alertou para as consequências políticas, sociais e geopolíticas da intervenção militar dos EUA na região.
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Em uma das seções mais poderosas de sua declaração, Petro garantiu que o bombardeio de Caracas deixa feridas históricas difíceis de curar. “É uma medalha terrível porque não será esquecida pelos sul-americanos durante gerações”, escreveu, rejeitando a lógica da vingança como resposta à situação.
O chefe de Estado confirmou que a violência alimentada pelo ressentimento não traz mudanças profundase utilizou o conceito de “vingança” para ilustrar os perigos de repetir o ciclo de ódio. Segundo Petro, “Revolução não é vingança”porque este tipo de respostas acaba por destruir estruturas sociais e conflitos internos.
Em sua reflexão, o presidente fez uma analogia com a dinâmica da violência em áreas populares, destacou que os jovens brigam entre si por desejo de vingançao que, na sua opinião, mostra que a vingança “mata o coração” e não provoca mudanças estruturais.

Além do impacto das operações militares na Venezuela, Petro concentrou boa parte de sua mensagem na necessidade de repensar as relações internacionais na América Latina. Neste contexto, questionou a dependência histórica de alianças externas e exigiu que a integração regional fosse priorizada como indicador da soberania nacional.
“A América Latina deve estar unida, caso contrário será tratada como serva e escrava e não como centro do mundo.ou”, disse o presidente, que insistiu que a região deve fortalecer as suas relações políticas, económicas e comerciais antes de olhar para os países estrangeiros.
Petro também argumentou que a cooperação com potências como China e Rússia não é suficientee observou que a forte integração da América Latina deve ser uma prioridade. Nesse sentido, citou o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, quando sugeriu que o acordo básico deve ser entre os países do continente.

Em sua declaração, o presidente questionou o atual funcionamento da Comunidade Latino-Americana e do Caribe (Celac). assume que o consenso absoluto limita a tomada de decisões estratégicas. Segundo Petro, este sistema permite que alguns governos optem por alinhar-se com interesses estrangeiros, minando assim o estatuto de uma região.
“Não faltam presidentes que preferem permanecer escravos de governos estrangeiros”, escreveu o presidente. ao mesmo tempo, apelou à união dos presidentes regionais para redefinir as prioridades políticas da América Latina face à nova situação geopolítica.
Esta nova declaração soma-se a uma série de mensagens anteriores nas quais Gustavo Petro descreveu a prisão de Nicolás Maduro como “sequestro” morto pelas tropas dos EUAque invadiu Caracas na manhã de sábado, 3 de janeiro, e deteve o chefe do governo venezuelano junto com sua esposa, Cilia Flores.

Embora o presidente não tenha repudiado completamente Maduro ou as suas ações, apesar das repetidas queixas de abusos dos direitos humanos, ele insistiu que a intervenção militar viola a soberania da Venezuela e altera o equilíbrio político do continente.
Petro também usou uma marca dura contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem culpou por promover um ataque que, segundo Washington, pretende encerrar a era política na Venezuela, mas, para o presidente colombiano, abre um perigoso precedente histórico para a América Latina.















