Tapachula (México), 10 de janeiro (EFE).- Pequenos produtores de café da região de Tapachula, fronteira do México com a Guatemala, disseram neste sábado à EFE que substituíram os históricos trabalhadores guatemaltecos por imigrantes haitianos, cubanos e venezuelanos, contratados para cortar o café e salvar a colheita por falta de trabalhadores.
A cafeicultura enfrenta uma das fases mais difíceis devido à grave falta de mão de obra, ligada ao fenômeno migratório que deixou a comunidade sem jovens nos poucos anos de trabalho nas plantações de café.
A migração para as cidades do México e dos Estados Unidos fez com que a força de trabalho local quase desaparecesse, o que significa que em muitas comunidades apenas permanecem mulheres e idosos.
Roberto Tomasini Pérez, produtor de café robusta, disse à EFE que este ano foi difícil encontrar pessoas da Guatemala e do México que quisessem trabalhar na área da colheita de café, por isso a participação de imigrantes do Haiti, Cuba e Venezuela ajudou muito.
“A representação deixou de ser muito pequena. Começamos com 10, que representava 50%, depois chegamos a 20 e depois a 30, fizemos uma transição dos trabalhadores centro-americanos, guatemaltecos, para haitianos, cubanos e venezuelanos, que representavam alguma coisa”, explicou Tomasini.
Tapachula é a maior cidade na fronteira com a Guatemala, no estado de Chiapas, um dos maiores produtores de café do México.
Os produtores de café estimam que entre 95 e 100% dos trabalhadores tradicionais desapareceram, especialmente os jovens que deixaram as explorações cafeeiras e se tornaram adultos.
Por sua vez, Nara Irasema Pérez, cafeicultora da zona, afirmou que agora contam com trabalhadores migrantes haitianos, o que significa que há dificuldades de adaptação necessárias para a realização da colheita.
“Não pode ser como os guatemaltecos que estão acostumados, eles esperam ser como o cafeeiro do Brasil onde podem cortar muito, mas têm que aprender”, admitiu.
O imigrante haitiano Zacarías, que trabalha na zona alta de Tapachula na operação do café, garantiu que gosta de trabalhar na roça e disse que dezenas de imigrantes vêm trabalhar na zona limpando, cortando o café e secando esta semente.
“Tapachula está crítico, não tem trabalho, aqui tem muito trabalho, aqui tem toda a comida, deixamos de dormir, estou trabalhando há quase um mês, sinto-me saudável. Quando vou, faço o que quero trabalhar, está tudo bem, temos que trabalhar, temos que dar um jeito: somos lutadores”, afirmou.
O México passou de país de trânsito de imigração para os Estados Unidos a destino devido ao endurecimento das restrições impostas pelo presidente Donald Trump desde que regressou à Casa Branca em janeiro deste ano.
Como resultado, o objectivo de muitos imigrantes hoje é ter estatuto legal para trabalhar e estabelecer-se no país. EFE
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