Genebra, 22 jan (EFE).- A juíza zambiana Florence Mumba, nova integrante da Comissão de Inquérito das Nações Unidas sobre a Palestina, criticou esta quinta-feira o ataque que provocou a morte de três jornalistas em Gaza na véspera, apontando que quando um jogador mata um jornalista no conflito “significa que tem algo a esconder”.
“Sem jornalistas, muitas pessoas em todo o mundo não prestarão atenção ao que está a acontecer, por isso estamos preocupados com estes ataques e esperamos que a comissão de investigação não limite este trabalho”, disse Mumba durante uma conferência de imprensa de apresentação dos novos membros do grupo de especialistas.
A comissão, presidida pelo proeminente juiz sul-africano Navi Pillay até 2025, concluiu há um ano, num dos seus últimos relatórios, que Israel cometeu genocídio em Gaza, embora os líderes mundiais e as agências da ONU tenham optado por não fazer publicamente esta acusação directa.
“Somos uma equipa de investigação, não um sistema judicial, chegamos a conclusões e não somos dogmáticos, mas esperamos que o nosso trabalho ajude”, afirmou naquela conferência de imprensa o novo presidente que substituiu Pillay, o juiz indiano Srinivasan Muralidhar, que também não mencionou a palavra “genocídio” no seu discurso.
Juntamente com Muralidhar e Mumba (que tem uma vasta experiência internacional em tribunais penais na ex-Jugoslávia, no Ruanda e no Camboja) está o advogado australiano de direitos humanos Chris Sidoti, o único membro remanescente da formação de 2025.
Muralidhar prometeu continuar investigando todas as violações dos direitos humanos em Israel e na Palestina.
Quando questionado sobre o conselho de paz em Gaza que o presidente dos EUA, Donald Trump, propõe hoje em Davos (Suíça), o novo presidente da comissão manifestou a sua confiança de que esta nova instituição não afetará o trabalho das Nações Unidas, incluindo o seu como investigador.
“A Comissão de Paz pertence ao plano proposto, escolhido e aceite no Conselho de Segurança da ONU”, confirmou, e manifestou também a esperança de que na nova fase do plano de paz haja mais cooperação israelita com a comissão e isso lhes permitirá entrar em Gaza, algo que os seus antecessores não puderam fazer. EFE
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