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Itália detém barco de resgate SOS Humanity após resgate no Mediterrâneo

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Após o último resgate no Mediterrâneo, o governo italiano ordenou que o navio Humanity 1 permanecesse imóvel durante dois meses no porto de Trapani, na Sicília, depois de o navio da organização alemã SOS Humanity ter ajudado 33 pessoas e recuperado dois corpos sem vida após o naufrágio. A pena, que inclui também uma multa de 10.000 euros, foi estabelecida de acordo com a lei italiana em vigor sobre operações de salvamento no mar. Segundo relatos da mídia, as autoridades italianas apreenderam o barco logo após o resgate e procederam à sua prisão.

O Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, defendeu a atuação do governo e indicou que a organização responsável pela Humanidade 1 agiu de forma contrária ao que chamou de “comportamento responsável”. Segundo informações prestadas por Piantedosi e divulgadas pela mídia, a atuação dos marinheiros, segundo o governo, colocou em risco a vida das pessoas resgatadas, motivo que justifica a detenção administrativa do navio.

A comunicação social destacou que a SOS Humanidade, por outro lado, confirmou a situação e destacou que a sua equipa não notificou o centro de coordenação de salvamento marítimo na Líbia durante a operação. A organização humanitária justificou as suas ações, dizendo que este tipo de acordo significa muitas vezes, nas suas palavras, “graves violações dos Direitos Humanos daqueles que procuram proteção”, segundo a ONG, que manteve a sua recusa em participar em organizações líbias durante o resgate.

A lei italiana estabelece que, após uma intervenção no mar sem seguir o protocolo estabelecido e sem o envolvimento do centro de coordenação designado, as autoridades podem impor sanções. A multa de 10.000 euros que é aplicada à Humanidade 1 reflete as diretrizes atuais, cujo objetivo é organizar a cooperação internacional em caso de resgate e, segundo o governo, facilitar uma coordenação adequada para prevenir acidentes e garantir a segurança dos migrantes e trabalhadores.

De acordo com relatos da mídia, a intervenção da Humanidade 1 não foi um evento isolado. Este episódio faz parte de uma série de medidas tomadas pelo executivo italiano, liderado pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que anunciou na última quarta-feira o reforço da política anti-imigração do Estado. Entre os anúncios recentes está a possibilidade de um bloqueio marítimo, dispositivo destinado a parar o tráfego marítimo na zona central do Mediterrâneo se a situação o exigir, segundo a versão oficial.

A relação entre a agência internacional de resgate e o governo italiano tem sido um ponto de discórdia devido aos procedimentos que envolvem o resgate de migrantes em risco. A SOS Humanity e outras organizações relacionadas argumentam frequentemente que as políticas restritivas dificultam o seu trabalho, enquanto as autoridades italianas sustentam que muitas destas ONG operam fora do quadro legal, o que, na sua interpretação, representa um incentivo para os traficantes de seres humanos que se aproveitam do desespero daqueles que tentam atravessar o Mediterrâneo.

A comunicação social revelou que a interceção do Humanity 1 foi realizada logo após a conclusão da operação de resgate, realizada após a descoberta de fadiga de navios no meio do mar que liga o Norte de África à costa sul da Europa. As operações de resgate nesta rota, classificada como uma das mais movimentadas e perigosas do mundo para os migrantes, aumentaram significativamente nos últimos anos, impulsionadas por conflitos, pobreza ou repressão nos países de origem dos migrantes, segundo vários relatórios internacionais citados por vários meios de comunicação social.

No âmbito da detenção do navio, a fonte oficial confirmou que todos os navios dedicados à ajuda humanitária devem respeitar o protocolo especial, especialmente no que diz respeito à notificação ao centro de coordenação do país costeiro correspondente. O governo italiano enfatizou que o descumprimento destas regras exige sanções administrativas, além de possíveis consequências criminais em casos agravados.

A posição da SOS Humanidade, divulgada nos meios de comunicação social, indica que a intervenção governamental representa uma resposta excessiva às emergências humanitárias. A organização insistiu que as autoridades líbias a estavam abandonando porque acreditavam que a cooperação com aquele país faria com que as pessoas resgatadas corressem o risco de serem sujeitas a abusos graves ou de serem devolvidas em condições inaceitáveis ​​aos centros de detenção. As acusações da SOS Humanity de “violações dos direitos humanos” por parte das autoridades líbias estão entre os relatórios anteriores publicados por várias organizações internacionais e organizações da sociedade civil.

As sanções administrativas impostas à Humanidade 1 e a ameaça de novas restrições legais reflectem o rumo da política de imigração do actual governo italiano, que, segundo a comunicação social, pretende reduzir o fluxo de imigrantes ilegais através de controlos mais rigorosos no mar e com regras que limitam a capacidade das ONG de terem presença no Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, as organizações humanitárias salientaram que estas medidas aumentam o risco de transporte de pessoas e dificultam a prestação de cuidados rápidos e abrangentes aos náufragos.



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