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‘Juana’ mostra violência e patriarcado no México no Festival de Málaga

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A atenção dada pela equipe criativa de ‘Juana’ aos depoimentos de jornalistas no México desenvolveu um roteiro que quer refletir a realidade difícil e generalizada do país. Segundo a roteirista Emma Bertrán, a história inclui acontecimentos reais e resultados de muitos encontros com jornalistas mexicanos, que trazem sugestões e apoio às atividades jornalísticas atuais relacionadas à violência e à desigualdade de gênero. Esta forma de convívio é como o início do filme apresentado na 29ª edição do Festival de Málaga, onde ‘Juana’, de Daniel Giménez Cacho, competirá na secção oficial, segundo a imprensa.

‘Juana’ centra-se na vida de uma jornalista solitária que trabalha para o jornal Siglo XXI e cuida da sua mãe idosa na Cidade do México. A personagem principal, interpretada por Diana Sedano, acumulou uma série de mágoas ao longo de dez anos que a tentam conter. Segundo fontes, o passado violento de Juana ressurgiu quando um nome ressurgiu em sua vida: Pedro Núñez, um político corrupto suspeito de estar fortemente envolvido nas páginas de pornografia infantil, além de ser responsável pela morte de duas pessoas próximas ao protagonista: Armando, seu colega, e Joaquín, um colega de profissão.

O impacto destes acontecimentos leva Juana a recuperar o poder que sente ter perdido e a procurar justiça contra uma rede de abusadores e redes criminosas. O realizador Daniel Giménez Cacho, anteriormente conhecido como actor, deu o passo para realizar um filme através desta emocionante proposta, segundo informaram os meios de comunicação durante a conferência de imprensa realizada no cinema Albéniz. Junto com Emma Bertrán, as roteiristas e atrizes Diana Sedano e Margarita Sanz, Giménez Cacho explicou sua estratégia como diretor deste projeto: confiar o processo criativo a uma equipe talentosa e deixá-los desenvolver sua própria proposta, um método que se define como um exercício colaborativo.

Durante a apresentação em Málaga, Giménez Cacho mostrou os seus próprios estudos neste primeiro filme e destacou a importância de estar rodeado de profissionais qualificados que possam contribuir desde diferentes perspectivas. “Estou aprendendo. Porque é o primeiro filme que dirijo. Então disse para mim mesmo: para que isso aconteça, temos que chamar pessoas que sejam realmente boas e deixá-las fazer o seu trabalho”, disse o diretor. O compromisso com o intercâmbio criativo foi essencial, segundo a equipe, para concretizar a visão comum e abrir a história com a participação de quem conhece o jornalismo no México.

Emma Bertrán, autora do filme, destacou que a construção da história partiu da coleta de depoimentos e de encontros com jornalistas mexicanos, o que permitiu que a história se baseasse na realidade de muitas mulheres que faziam o trabalho. “Juana tem muitos acontecimentos reais, muitas reuniões com jornalistas e muitas Juanas por perto”, disse Bertrán, que disse ter trabalhado com uma ideia clara do início e do desfecho da narrativa.

O roteiro, explicado pela atriz Diana Sedano e divulgado pela mídia, explora além dos aspectos sociais do jornalismo no México e investiga os aspectos íntimos e emocionais das mulheres que enfrentam a violência estrutural do patriarcado no lar e na esfera profissional. Sedano explicou que para se preparar para o seu papel participou num encontro com jornalistas organizado por Giménez Cacho, o que lhe permitiu aproximar-se da sua personagem sem sobrecarregá-la de forma solene ou cair numa representação distante. A atriz disse que sentir a confiança de seu diretor e praticar diversas vezes decidiu pela liberdade de interpretação e pela criação de uma visão humanística de Juana.

A edição coletiva e a colaboração marcaram a realização do filme, comprovando a disposição de Giménez Cacho em ouvir e ajudar os talentos de toda a equipe. A mídia noticiou que o diretor, os atores e os roteiristas destacaram a profundidade da violência patriarcal retratada no filme, tema abordado com “autoconsciência” no roteiro e na atuação. Enfatiza-se o interesse da trama pela experiência pessoal e pelos aspectos públicos da opressão de gênero, estabelecendo uma conexão concreta entre a vida íntima e profissional das mulheres retratadas na narrativa.

Além de tratar de casos relacionados ao machismo estrutural e à impunidade, o filme utiliza a história de Juana como reflexo de muitas jornalistas mexicanas, conforme explica a equipe, citada na mídia. Com o lançamento de ‘Juana’ no Festival de Málaga, Daniel Giménez Cacho iniciou a sua carreira como realizador e, segundo as suas próprias palavras, já se sente preparado para enfrentar novos desafios no cinema.



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