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María Corina Machado tentou derrotar Trump dando-lhe o Prêmio Nobel da Paz

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Eduard Ribas e Admetlla

Washington, 15 janeiro (EFE).- A líder da oposição venezuelana María Corina Machado encontrou-se quinta-feira pela primeira vez com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem tentou conquistar entregando-lhe a Medalha Nobel da Paz que recebeu no ano passado, depois de ter sido transferida pelos republicanos no processo de transição política na Venezuela.

A reunião, que incluiu um almoço privado na Casa Branca e durou mais de duas horas, ocorreu doze dias depois de Nicolás Maduro ter sido deposto num ataque na Venezuela que levou à prisão e extradição do líder chavista e da sua esposa, Cilia Flores, para Nova Iorque, onde ambos enfrentam acusações de tráfico de droga.

Até agora, Trump e a sua administração optaram por apoiar o governo da presidente interina Delcy Rodríguez, que serviu como vice-presidente durante o mandato de Maduro, pois afirmaram que estavam a ceder às suas exigências.

Na tentativa de se aproximar da posição com os republicanos, Machado anunciou na semana passada a intenção de “partilhar” com Trump o Prémio Nobel da Paz, prémio que o presidente norte-americano quer ao dizer que contribuiu para a resolução de muitas guerras.

Em declarações à imprensa após o encontro com Trump na Casa Branca e o encontro com os senadores republicanos e democratas no Congresso, Machado anunciou que “apresentou” a medalha ao presidente, o que significa que a apresentou a ele, um acto que a Casa Branca não comentou nem deu prioridade à vista.

O líder da oposição recorreu à história ao contar que Simón Bolívar, herói da independência da Venezuela, e de outros países da região, guardou durante a sua vida uma medalha com a imagem de George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, que lhe foi entregue pelo Marquês de Lafayette.

“Duzentos anos depois, o povo de Bolívar devolveu uma medalha ao líder de Washington, neste caso a medalha do Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento ao seu compromisso pessoal com a nossa liberdade”, explicou Machado.

A medalha Nobel, cunhada em ouro e com menos de sete centímetros de diâmetro, traz um retrato de Alfred Nobel, cujo rosto permanece inalterado há mais de 120 anos.

Na mesma quinta-feira, antes do encontro entre Trump e Machado, o Centro Nobel da Paz enfatizou na rede social que o prémio “não pode ser retirado, distribuído ou transferido para terceiros”, dizendo que “uma medalha pode mudar de dono, mas o título do Prémio Nobel da Paz não pode”.

Apesar da reunião com Machado, a Casa Branca não deu esta quinta-feira qualquer indicação de uma mudança na sua política em relação à Venezuela, que se baseia atualmente na cooperação com o Governo Rodríguez, que Trump considera protegido por Washington e que fechou o acordo petrolífero.

Numa conferência de imprensa, a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, descreveu Machado como uma “voz de coragem” para muitos venezuelanos, mas acrescentou que Washington ainda acredita que a oposição não tem apoio suficiente para liderar uma transição.

Ao mesmo tempo, Leavitt garantiu que o Governo Rodríguez está “cooperando plenamente”, já que até agora aprovou “todas as exigências e pedidos dos Estados Unidos”.

“O presidente está satisfeito com o que viu e espera que esta cooperação continue”, disse o porta-voz.

Trump conversou por telefone na quarta-feira com o presidente responsável pela crise do petróleo e o descreveu como “uma pessoa maravilhosa”.

Desde a queda de Maduro, mais de 400 presos políticos foram libertados no país, segundo dados do Governo venezuelano.

Machado discutiu esta questão com Trump e saiu da reunião convencido de que o líder norte-americano está “comprometido com a liberdade dos presos políticos na Venezuela e de todos os venezuelanos”. EFE

(foto) (vídeo)



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