Moscou, 12 de fevereiro (EFE).- A interrupção da rede de mensagens Telegram na Rússia gerou uma onda de críticas por parte de militares, blogueiros e políticos, que alertam para as consequências de bloqueá-la, especialmente em tempos de guerra.
“Quem está desacelerando o Telegram? Vá para a frente. É onde os meninos derramam seu sangue e é o único meio de comunicação com sua família e amigos. O que você está fazendo, seu idiota?” Sergei Mironov, líder do partido social-democrata Just Russia, gritou na Duma – Câmara dos Deputados.
O seu partido propôs, juntamente com o Partido Comunista da Rússia, uma moção para considerar medidas contra o Telegram, que foi rejeitada pelo partido do Kremlin, Rússia Unida, e pelo ultranacionalista Partido Liberal Democrático da Rússia.
“A morte de cada soldado por causa deste revés pesará na sua consciência”, acrescentou Mironov, chamando de “malvados” os defensores do bloqueio da rede.
Não satisfeito com isso, apresentou esta quinta-feira um pedido oficial ao Conselho de Segurança russo para rever a adequação das restrições impostas pelo regulador russo de comunicações Roscomnadzor à rede de comunicações.
“Esta decisão provocou uma reacção muito negativa na sociedade, porque pode ameaçar a segurança dos cidadãos do nosso país”, disse, citando a declaração do governador da região fronteiriça de Belgorod, Vyacheslav Gladkov, que pode afectar o nível de informação da população em caso de ataque ucraniano.
Defendeu também que o Telegram criou um “poderoso grupo de informação patriótica de jornalistas militares, voluntários e pessoas que apoiam” a guerra na Ucrânia e que a sua opinião é ouvida não só na Rússia, mas também nos antigos países soviéticos.
Vladimir Plyákin, deputado da Gente Nueva, condenou que a medida anti-Telegrama prejudica os esforços do Estado para comunicar com os jovens russos e descreveu como “hipócritas” aqueles que defendem a comunicação intergeracional, mas “cortaram” esta oportunidade.
Até Yekaterina Mizúlina, censora russa da Internet, apelou a “não deitar fora ferramentas essenciais para promover uma posição pró-Rússia”.
Todas essas críticas surgem no momento em que a rede de mensagens instantâneas WhatsApp condena na quinta-feira os planos das autoridades do país de bloqueá-la completamente por meio do MAX, um aplicativo russo semelhante, que tem mais de 100 milhões de usuários na Rússia.
Por sua vez, o canal Telegram “Dva Maiora” (Dois Poderes) apelou ao envio para a guerra “os dirigentes de Roscomnadzor e deputados que não sabem comunicar na zona de guerra”.
O correspondente de guerra Alexandr Sladkov reclamou que o exército russo “recebeu um golpe duplo”, primeiro o bloqueio da estação Starlink de Elon Musk e agora “fogo amigo” de Roscomnadzor.
O projeto ‘lpr1’, especializado em rastrear ataques de drones ucranianos, divulgou um vídeo de um soldado russo que diz que “é muito difícil trabalhar quando reina a insanidade total”.
O soldado, que cobriu o rosto com uma máscara, acusou as autoridades russas de não conseguirem criar uma alternativa ao Telegram e o serviço MAX, apresentado como uma distração, não permite a abertura do canal de alarme apesar de o terem solicitado há três meses.
“O resultado é uma falha na comunicação entre os indivíduos. E a morte de combatentes”, disse ele.
O eventual bloqueio do Telegram já começa a suscitar preocupações noutros setores da sociedade russa, afastados da política.
Segundo o jornal russo RBC, isso pode afetar o trabalho dos desenvolvedores de aplicativos móveis russos, especialmente no Android, se o setor de turismo russo relatar problemas graves entre operadores turísticos, agências e clientes, devido às informações transmitidas nos segundos anteriores, pode demorar muitas horas para chegar.
Segundo o vice-presidente da Associação de Operadores Turísticos Russos ATOR, Artur Murdanián, citado pelo portal especial Tourprom, o colapso do Telegram afetará a eficiência das viagens de negócios e limitará os turistas estrangeiros, que não podem registar-se no MAX.
Isto provocará, alertou, um declínio de 20 a 30% na movimentação de estrangeiros para a Rússia, valor que já está abaixo do nível desejado. EFE















