Madrid, 22 de janeiro (EFE).- O bailarino Eduardo Guerrero destaca o refúgio de Vejer de la Frontera (Cádiz) no seu novo espetáculo ‘El manto y su ojos’, onde enfrenta um mundo “hipervisibilizado e controlado por algoritmos”.
Com ‘Roupas e olhos’, Guerrero reproduz a imagem dos abrigos de Vejer de la Frontera, mulheres que se escondem debaixo do pano e mostram apenas um olho, uma tradição de raízes castelhanas nos séculos XVII e XVIII, associada a serviços religiosos, roupas tradicionais para casamentos, funerais e ainda em procissão, apesar da alegria óbvia.
“Gosto sempre de ter mulheres presentes, elas têm poder nos meus shows; um símbolo que me deixa confortável”, disse à EFE Eduardo Guerrero, que lembrou que sua avó lhe deu seu primeiro par de sapatos de dança.
A dançarina disse que sua primeira professora foi uma mulher e trabalhou com diretoras como Rocío Molina e Eva Yerbabuena.
Guerrero recorreu ao folclore andaluz, guiado pelo pensamento de María Zambrano, para expressar a necessidade de recolhimento, de refúgio interior, contra a constante exposição das imagens produzidas pelo hiper “quando o que interessa às pessoas vai para dentro”.
Os bailarinos retratam um sonho simbólico em que um grupo de mulheres dá à luz uma criança que começa a caminhar no que descreve como uma metáfora flamenca da urgência de “redescobrir, perder, ser surpreendido”.
Para Guerrero, a vida passa a ser um reflexo do consumo, onde algoritmos e telas chamam a atenção, e valida o sonho que surge neste texto como um lugar de resistência e inovação, com história simbólica.
“Saio-me de uma forma mística e percorro os passos da minha infância para encontrar a minha linguagem desde as raízes do flamenco” até chegar ao mais presente, com uma imagem muito poderosa como se fosse quase como o Cristo restaurado, reencarnado como uma criança, vestindo um top como na primeira comunhão e sapatos dourados.
“Esta é a obra mais autobiográfica que tenho, representa quem sou e como sinto que nasci no teatro”, afirma o artista de Cádiz que apresenta a sua memória mais artística e pessoal: vestir-se para a comunhão, evento em que vestiu traje de bailarino.
“Essa é a minha primeira lembrança de ser artista”, lembra ela, por isso optou por usar sapatos dourados “mágicos” no palco, como os de ‘Alice no País das Maravilhas’.
Tradição e vanguarda, realidade e fantasia, símbolos que os bailarinos acrescentam ao mundo do flamenco.
O forte e poderoso zapateado de Guerrero estará presente de 23 a 25 de janeiro nos Teatros del Canal de Madrid, acompanhado pelo violão de Pino Losada, que assina a música com Luis de Perikín, e seis cantores que dão voz a ‘las cobijadas’.EFE
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