WASHINGTON – O Departamento de Justiça entrou com um acordo de US$ 1,2 milhão com Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional do presidente Trump, que se declarou culpado durante o primeiro mandato republicano de mentir sobre conversas telefônicas com um importante diplomata russo, mas foi perdoado.
Os documentos judiciais apresentados na quarta-feira não revelam o valor do acordo, mas uma pessoa familiarizada com o assunto, que falou à Associated Press sob condição de anonimato para divulgar informações não públicas, confirmou o total em US$ 1,2 milhão.
Flynn resolveu o processo em 2023, no qual Flynn buscava pelo menos US$ 50 milhões e argumentou que o processo criminal contra ele era um processo malicioso. Também representa uma reviravolta acentuada na posição do Departamento de Justiça que forçou um juiz a rejeitar uma queixa durante a administração Biden. Atty. O general Pam Bondi, conselheiro especial do ex-presidente, tem criticado fortemente a investigação russa na qual Flynn foi indiciado, e o FBI e o Departamento de Justiça demitiram no ano passado funcionários envolvidos na investigação criminal de Trump.
O Departamento de Justiça apresentou o acordo como um “grande passo na correção” do que considera ser uma “injustiça histórica” na investigação sobre a Rússia que acompanhou Trump durante grande parte do seu primeiro mandato.
“O Departamento de Justiça continuará a buscar a responsabilização em todos os níveis deste crime. Este tipo de ação do governo federal não pode acontecer novamente”, disse um porta-voz.
O acordo é a última rodada da longa saga legal envolvendo Flynn, um dos seis associados de Trump acusados como parte da investigação do procurador especial Robert Mueller sobre possíveis laços entre a Rússia e a campanha presidencial de Trump em 2016.
Flynn confessou-se culpado em dezembro de 2017 por mentir ao FBI quando disse que não discutiu com o diplomata Sergey Kislyak as sanções que a antiga administração Obama acabara de impor à Rússia por se intrometer nas eleições. Durante essa conversa, Flynn sugeriu que a Rússia deveria “acalmar-se” em resposta às sanções, e garantiu-lhe que “podemos ter uma conversa melhor” sobre as relações entre os países após a presidência de Trump.
A conversa alertou o FBI, que na altura investigava se a campanha de Trump e a Rússia se tinham coordenado para influenciar as eleições. Além disso, funcionários da Casa Branca declararam publicamente que Flynn e Kislyak não discutiram sanções, o que o FBI sabia não ser verdade.
Mas Flynn mais tarde tentou retirar sua confissão de culpa, dizendo que os promotores federais agiram de “má-fé” e cortaram sua parte no acordo quando pediram pena de prisão para ele.
O Departamento de Justiça em 2020 decidiu encerrar o caso, argumentando que o FBI não tinha base para questionar Flynn sobre Kislyak e que quaisquer declarações que ele fez durante a entrevista não eram para investigação do FBI. O departamento também apontou memorandos internos do FBI que mostravam que a agência planejava encerrar a investigação antes que Flynn fosse entrevistado sobre Kislyak.
Trump perdoou Flynn, encerrando o processo judicial e a disputa legal.
Tucker e Richer escreveram para a Associated Press.















