A utilização de bombardeamentos duplos, uma tática que visa equipas de resgate ou forças de segurança que respondem após a primeira explosão, desempenhou um papel fundamental nos ataques recentes de grupos extremistas no Iraque. Segundo um jornal local baseado em informações fornecidas pelo Serviço de Segurança Nacional do Iraque, esta estratégia é uma das preferidas de vários membros do Estado Islâmico, incluindo o famoso especialista em explosivos conhecido como “Abu Mustafa”, cuja recente captura ganhou importância no mundo do combate aos remanescentes de jihadistas no país.
Segundo fontes oficiais, a detenção de “Abu Mustafa” ocorreu após uma caçada humana que durou mais de dez meses e terminou depois de ter regressado ao território iraquiano, após vários anos escondido no estrangeiro. A Agência de Segurança Nacional do Iraque sublinhou, num comunicado citado pelos meios de comunicação locais, que esta pessoa é um elemento importante do aparelho operacional do Estado Islâmico. Ele foi responsável pelo planejamento dos ataques a Bagdá e outras cidades, bem como pelo fornecimento de mais de uma centena de artefatos explosivos usados nesses ataques. Estas operações fazem parte de um esforço de longo prazo para limpar os centros operacionais que permanecem após a rendição oficial dos territórios controlados pelo Estado Islâmico no Iraque desde 2019.
A carreira do detido, afirmou a Agência de Segurança Nacional num comunicado compilado pelo jornal, começou em 2004, quando se juntou à rede Al Qaeda em Bagdad sob o nome de “Abu Aliya”. Lá ele criou e liderou a primeira célula de cinco membros, especializada na fabricação de artefatos explosivos. Esses dispositivos foram utilizados em diversos ataques a alvos na capital iraquiana, que deu o nome de “Abu Aliya” naquela época no mundo jihadista. Segundo as autoridades, a experiência técnica que adquiriu permitiu-lhe subir na hierarquia da organização e tornar-se o principal elo logístico do movimento armado na região.
Com o fortalecimento e expansão do Estado Islâmico, o especialista em explosivos mudou o seu pseudónimo para “Abu Mustafa” e transferiu o seu campo de trabalho para as províncias de Saladino e Kirkuk, no noroeste do país, informaram fontes oficiais. Nessas áreas, manteve o controle das comunicações internas do grupo e continuou a fornecer explosivos a diversas células. O estabelecimento de jihadistas nestas províncias coincidiu com um período de violenta agitação armada e com a expansão dos protestos no Iraque.
A ofensiva liderada pelo exército iraquiano, em conjunto com a coligação internacional sob a liderança dos Estados Unidos, levou à recuperação gradual dos territórios ainda sob controlo do Estado Islâmico. Segundo relatos publicados, após esta dificuldade, “Abu Mustafa” optou por deixar o Iraque e assumiu uma identidade falsa, o que lhe permitiu evitar a prisão por muitos anos. O Serviço de Segurança Nacional Iraquiano confirmou que, após um minucioso processo de informação e inteligência, que examinou as ligações passadas e presentes do suspeito com outros grupos armados, foi possível estabelecer a sua identidade actual e proceder à detenção.
A operação foi criada pelas autoridades no contexto de uma estratégia de longo prazo para rastrear e monitorizar os líderes que, apesar da destruição territorial do califado jihadista, permanecem activos ou fornecem apoio material e técnico a pequenos grupos dispersos. Segundo a Agência de Segurança Nacional do Iraque, a captura de pessoas com elevada formação no manuseamento e produção de engenhos explosivos é essencial para travar a possibilidade dos remanescentes do Estado Islâmico, que atualmente opera através de redes independentes e células independentes que procuram reorganizar-se em diferentes partes do país.
O comunicado recolhido por jornalistas locais detalhava que ele foi preso como resultado da cooperação entre diferentes agências de inteligência e forças de segurança interna. O documento valorizou a medida como parte dos esforços para prevenir a recorrência da violência e inclui novas ondas de ataques que podem ocorrer no Iraque e nos países vizinhos. Além disso, foi destacada a importância da vigilância ativa de indivíduos com histórico de fabricação, distribuição e uso de explosivos, pois a sua captura dificulta o restabelecimento de células clandestinas.
A ocorrência de pseudônimos duplicados e o uso de nomes alternativos demonstraram ser obstáculos adicionais às missões de detenção. Segundo a Agência de Segurança Nacional, este aspecto reforça a necessidade de implementação de métodos de investigação avançados e de monitorização regular para identificar aqueles que, pela sua experiência e conhecimento, podem influenciar a expansão das actividades armadas na região.
A detenção de “Abu Mustafa” foi apresentada, segundo noticiou a comunicação social, como uma mensagem enviada aos restantes antigos membros e colaboradores associados ao Estado Islâmico: as autoridades asseguram que mantêm o compromisso de processar aqueles que participaram ou cooperaram no ataque e no fabrico de armas, independentemente do período passado ou da utilização de nomes falsos.
Finalmente, a Agência de Segurança Nacional enfatizou na sua declaração que a vigilância e o feedback sistemático continuarão a centrar-se em indivíduos que possam fornecer conhecimentos técnicos a grupos extremistas. Esta operação, tal como reconhecida pela organização iraquiana e publicada na imprensa local, é essencial para destruir a cadeia de abastecimento de equipamentos e materiais utilizados no ataque e para desencorajar a introdução de novos elementos nas fileiras dos rebeldes. A operação que resultou na detenção de “Abu Mustafa” representa, neste contexto, mais uma parte de uma estratégia mais ampla para conter e eliminar as últimas fontes activas de extremismo no Iraque.















