Os recentes protestos no Irão resultaram em mais de 500 mortes, segundo dados compilados pela organização HRANA, sediada nos EUA. Este valor foi mencionado no contexto do novo processo que o país atravessa desde 10 de janeiro, descrito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, como um processo onde a situação ainda está “sob controlo”. O chefe da diplomacia iraniana afirmou também que os protestos levaram a ações violentas para justificar possíveis ações dos EUA em solo iraniano. Este anúncio surge num momento em que a pressão internacional continua a crescer e as relações diplomáticas entre Teerão e Washington continuam.
De acordo com a notícia publicada pela televisão pública iraniana IRIB e recolhida pela agência de notícias Europa Press, Abbas Araqchi declarou na segunda-feira que “o Irão não precisa de guerra, mas está totalmente pronto para a guerra”. Araqchi sublinhou a vontade do seu governo de participar em conversações “justas” com as autoridades dos EUA, e sublinhou que tais negociações prosseguirão em igualdade de condições e respeito: “Também estamos a preparar-nos para negociações, mas não justas, com direitos iguais e respeito mútuo”, disse ele perante um grupo de embaixadas estrangeiras, de acordo com o relatório do IRIB.
As relações entre os dois países ainda estão em curso. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou esta segunda-feira que estão abertos canais diplomáticos com os Estados Unidos. Baqaei disse aos meios de comunicação que este canal é utilizado quando a situação o exige e destacou a adesão do Irão às “regras de diplomacia e negociação”, conforme detalhado pela Europa Press. O governo iraniano reiterou, portanto, a sua posição a favor dos canais diplomáticos, mas insiste na exigência de igualdade e no afastamento das condições impostas.
Neste panorama, Araqchi denunciou que a manifestação foi utilizada como “desculpa” para a intervenção estrangeira, especialmente da administração norte-americana liderada por Donald Trump. O ministro disse que existe uma estratégia deliberada para desviar os manifestantes do seu percurso habitual e causar agitação social. Explicou ainda que o objetivo destas ações é aumentar o número de mortos nos protestos, pois em comunicado anterior, Donald Trump disse que interviria caso o número de mortos aumentasse. Esta avaliação do governo iraniano baseia-se numa análise dos acontecimentos recentes e do seu impacto na política internacional.
Segundo o IRIB, o país prossegue uma política externa que evita conflitos armados, mas garante que ambos estão preparados para a segurança nacional e para um diálogo no final que respeite o princípio da igualdade entre as partes. As autoridades iranianas sublinharam repetidamente que a sua vontade de estabelecer relações diplomáticas com Washington está condicionada pelo respeito mútuo e pelo reconhecimento de direitos recíprocos.
A situação está a evoluir num contexto de tensões crescentes, com ameaças contínuas de intervenção dos EUA e pressão contínua sobre o governo iraniano. O número de mortos comunicado pela HRANA faz dos protestos um grande acontecimento, tanto a nível nacional como internacional, à medida que o regime iraniano tenta reforçar os controlos internos e manter relações abertas com o Ocidente.
Durante as declarações recolhidas pela rede IRIB e citadas pela Europa Press, os principais representantes diplomáticos iranianos insistiram na rejeição da violência e na disponibilidade para resolver as diferenças através do diálogo. A insistência em “relações justas” parece ser um indicativo da abordagem do Irão para resolver as diferenças com os Estados Unidos, evitando assim a escalada militar.
Desta forma, o governo iraniano oferece dois caminhos complementares para o futuro próximo: o reforço das medidas de segurança interna após os protestos e a manutenção das relações diplomáticas com os Estados Unidos, regulando possíveis conversações sobre a existência de “direitos e respeito mútuo”. Os protestos, que atingiram um nível elevado e se tornaram violentos, continuam a ser centrais no argumento oficial iraniano para denunciar a possibilidade de interferência estrangeira e para justificar a resposta de segurança.
A Europa Press explicou detalhadamente que o actual processo iniciado em 10 de Janeiro reforçou o acompanhamento da situação por parte das autoridades, o que o governo iraniano explica como um desenvolvimento na estratégia de gestão de crises, na redução da instabilidade e na procura da retoma dos canais diplomáticos. Ao mesmo tempo, a gestão da crise interna e a diplomacia externa continuam a ser o foco da política iraniana, numa altura caracterizada por tensões com os Estados Unidos e pelo escrutínio internacional da situação dos direitos humanos no país.















