Depois de Felipe González ter anunciado recentemente que não votará nas próximas eleições gerais, é evidente a distância entre os principais líderes socialistas, o que se reflectiu durante o evento institucional realizado no Congresso dos Deputados para comemorar a vigência da Constituição de 1978. Neste evento, o Rei presidiu à cerimónia onde foi trocada uma saudação fria e firme entre Pedro Sánchez, Presidente do Governo e secretário-geral do PSOE, e o próprio González teve destaque, segundo reportagem da Europa Press.
Os meios de comunicação explicaram que Ester Muñoz, vice-secretária do Grupo Popular do Congresso, fez uma declaração sobre o conflito interno no PSOE após este acontecimento. Segundo a Europa Press, Muñoz considerou “interessante” que o partido socialista liderado por Sánchez seja mais crítico do ex-presidente González do que os antigos altos funcionários do partido que estiveram envolvidos em vários escândalos, como José Luis Ábalos e Santos Cerdán. Muñoz disse aos repórteres que, apesar de manter diferenças ideológicas com González, insistiu que o facto de ocupar a Presidência do Governo de Espanha era motivo suficiente para ser reconhecido e respeitado. “É muito interessante como alguns são protegidos e outros são menosprezados”, disse ele, observando que cabe a Sánchez e aos seus aliados explicar o tratamento que dispensam às figuras históricas do partido.
A intervenção pública de Muñoz ocorreu após ser questionado sobre o breve e tenso encontro entre Sánchez e González no Congresso. A Europa Press informou que o subsecretário popular criticou que Sánchez, seus ministros e o PSOE “criticam Felipe González por chamar a autocrítica dentro do partido e não contra pessoas corruptas e adúlteras como Ábalos e Santos Cerdán”. Desta forma, Muñoz revelou o que considera um duplo padrão dentro das fileiras socialistas no que diz respeito ao respeito pelos antigos líderes.
Felipe González, segundo a mídia, manifestou a intenção de não apoiar o PSOE no dia anterior enquanto Sánchez concorria à reeleição, apostando nas próximas eleições. Após o seu anúncio e o palpável esfriamento das suas relações com Sánchez, González limitou a sua presença na cerimónia a uma breve troca de saudações com os seus antigos colegas de partido e a uma conversa mais prolongada com Alberto Núñez Feijóo, presidente do Partido Popular.
Durante a cerimónia estiveram também presentes outros dirigentes políticos, tanto do PSOE como do PP. Ex-presidentes do Congresso e do Senado, como Ana Pastor, Federico Trillo, Luis Fernanda Rudi, Meritxell Batet, Esperanza Aguirre, Javier Rojo e Ander Gil, estiveram presentes na galeria de convidados, onde conversaram num ambiente descontraído, disse a Europa Press. A conversa entre o ex-presidente José María Aznar e a presidente do Conselho de Estado, Carmen Calvo, teve destaque entre os presentes, segundo a mídia.
Aznar saiu da sala, após concluir o discurso do rei Felipe VI, sem comparecer ao aperitivo subsequente com o rei e demais oficiais. Quando questionado pelos jornalistas sobre a intervenção de Felipe VI, Aznar respondeu brevemente que a considerava “muito boa”, justificando a sua ausência no próximo evento social citando motivos pessoais, segundo a Europa Press.
Em seu discurso no Senado, Felipe VI enfatizou a legitimidade da Carta Magna e reconheceu que, apesar de sua imperfeição, representa o acordo institucional mais permanente da história recente do país. O rei sublinhou que a melhor forma de respeitar a importância e a persistência da Constituição de 1978, que se tornou oficialmente a mais longa de Espanha, é cumprir o seu mandato.
Segundo a Europa Press, dois dos ex-presidentes vivos não compareceram ao evento: José Luis Rodríguez Zapatero e Mariano Rajoy, que também marcaram o perfil político e institucional da época. As diferentes posições dentro do PSOE, refletidas no comportamento dos seus principais dirigentes, e o impacto dessas diferenças na atual situação política, segundo a reportagem da Europa Press, foram destacadas neste evento.















