Uma família média da Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA), sem subsídios, teve que reservar US$ 183.410 em dezembro para cobrir serviços públicos. O número representa um aumento de 5,7% em relação ao mês anterior e 31% em relação ao mês de 2024.
Segundo o Observatório de Tarifas e Subsídios do IIEP (UBA-CONICET), neste mês a conta média de luz atingiu 44.808 dólares, um aumento de 20,8% em relação a novembro. Por outro lado, a conta do gás diminuiu 4,6% e a família teve que gastar US$ 22.970 para cobri-la. Os serviços de água e transporte aumentaram 4,4% e 2,4%, respetivamente. Os empregadores tiveram que pagar US$ 32.435 e US$ 83.196 em cada caso.
Em relação a dezembro de 2023, a cesta de serviços aumentou 561%, enquanto o índice de preços ao consumidor (IPC) aumentou 185%.
O aumento relativo em novembro, segundo o IIEP, deveu-se aos seguintes fatores:
- Gás: Em dezembro, os encargos fixos e os encargos variáveis aumentaram 2,2%. Ao mesmo tempo, o consumo diminuiu devido à sazonalidade, com a chegada do verão. Nesse caso, o efeito volume compensou o aumento da tabela tarifária e levou à redução das despesas mensais.
- Energia elétrica: A curva ascendente de consumo, que atingiu o pico em janeiro, continuou. Na comparação com o mês anterior, a tabela de taxas de juros apresentou aumento de 1,9% nos encargos fixos e de 3,1% nos encargos variáveis.
- Coletivos: Enquanto as tarifas das rotas urbanas aumentaram pelo IPC mais 2% (que apresentou um aumento de 4,1% em Dezembro), os transportes públicos administrados a nível nacional mantiveram os preços dos bilhetes inalterados, depois de registarem um aumento de 9,7% em Novembro. Com isso, o preço médio da passagem de ônibus aumentou 2,2% em dezembro.
- Água: O horário das tarifas foi ampliado, enquanto o consumo foi alterado para mais dias do mês, passando de 31 dias de dezembro para 30 de novembro.
“Em suma, o aumento mensal de 5,7% no cabaz de serviços é explicado pelo aumento da tabela de todos os preços, especialmente dos transportes e da energia eléctrica, com o aumento da quantidade de energia eléctrica consumida à medida que a curva da procura avança com o pico em Janeiro”, destaca o relatório.
Diferenciando-se dos serviços, o transporte público volta a ser o principal ponto de pressão no cabaz de serviços públicos. As faturas relacionadas com esta rubrica aumentaram 48% em termos homólogos face a dezembro de 2024, um ajustamento que superou o IPC estimado e explicou a maior parte do aumento.
Em contrapartida, os serviços básicos apresentaram um crescimento mais moderado. Ano após ano, o consumo de água aumentou 13%, o consumo de eletricidade 19% e o consumo de gás natural 28%. Os transportes representaram 19 por cento dos 31 por cento do crescimento anual total do cabaz, enquanto a água, o gás e a electricidade representaram 3, 4 e 5 por cento, respectivamente.
Ao considerar as medições recolhidas para o ano de 2025 e os descontos sazonais – como as oscilações do consumo ou o número de dias por mês – o cabaz de serviços públicos apresentou a mesma evolução do índice geral de preços.
No entanto, destacaram-se diferentes movimentos entre as componentes: enquanto a água, a eletricidade e o gás aumentaram abaixo do IPC, os transportes voltaram a apresentar um aumento maior e mais evidente que a inflação.
Por outro lado, o IIEP enfatizou que nos agregados familiares da AMBA o custo médio dos serviços públicos atinge 53% da média, enquanto os restantes 47% são assumidos pelo Estado através de subsídios.
Mas este esquema de cobertura é diferente: registaram-se diferenças significativas entre agregados familiares e entre serviços.

O relatório destaca ainda que em dezembro a categoria de serviço público da AMBA representava 11,1% do salário médio registrado no mês, calculado em US$ 1.669.987. Ou seja, com o salário médio foi possível cobrir nove cabazes de serviços públicos, face aos 8,6 que foram obtidos em dezembro de 2024.
Nesta estrutura de despesa, os transportes voltaram a destacar-se como o elemento mais importante: atingiram 43% do peso salarial, pelo menos o dobro dos restantes serviços públicos relacionados com o rendimento das famílias.
A partir de 2026, o governo planeia implementar um sistema único e direcionado de subsídios à população para eletricidade, gás natural, garrafas (GPL) e gás propano.
A iniciativa significa que o fim da atual distribuição das taxas de rendimento (N1, N2 e N3) e de diferentes programas – como o Programa Casa e a Tarifa do Gás Social – resultará num regime simplificado com apenas duas categorias: famílias que receberão subsídios do Estado e famílias que pagarão o custo total da energia.
Segundo a proposta oficial, o principal objetivo é tornar mais transparente o custo do serviço, aumentar a taxa de despesas que serão suportadas pelo usuário e fortalecer a disciplina financeira.

O acesso à assistência será limitado às famílias com rendimento inferior a três Cestas Básicas Totais (CBT), num período igual a 3.641.397 dólares por mês, mais exigente do que agora.
Além disso, será mantida a cláusula de exclusão de propriedade: quem possui barco ou imóvel adicional não será contemplado nos benefícios.
O novo sistema substituirá completamente todas as categorias anteriores. As pessoas já inscritas no registo de acesso aos subsídios à energia (RASE) passarão automaticamente para o novo sistema, embora tenham a oportunidade de atualizar a sua informação.
Enquanto isso, os usuários de gás propano fora da rede ou botijões de GLP de 10 quilos que ainda não tenham sido cadastrados deverão concluir o processo através do site oficial argentina.gob.ar/subsidios.















