Durante a sua visita oficial a Buenos Aires, o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, manteve uma reunião com os líderes da região onde discutiram em particular as recentes mudanças na migração e o impacto da crise venezuelana nos países sul-americanos afetados. Neste contexto, levantou a necessidade de apostar na cooperação multilateral como forma de organizar o regresso seguro e ordenado dos migrantes em situação irregular, uma iniciativa que tem recebido o apoio de vários governos do continente, conforme noticiado pela Europa Press.
O apoio à proposta de Kast foi demonstrado principalmente entre os representantes do Panamá, Costa Rica, El Salvador, Peru e Equador, que, segundo a Europa Press, manifestaram a sua vontade de trabalhar em conjunto para construir um corredor para os direitos humanos. A proposta surge numa situação marcada pelo aumento da imigração proveniente da Venezuela, fenómeno que tem sido estudado por autoridades ligadas à crise no país sul-americano. Durante sua estada na Argentina, Kast enfatizou a importância da cooperação para facilitar o retorno daqueles que não reúnem as condições legais para permanecer nos países anfitriões.
Tal como explicado detalhadamente pela Europa Press, o presidente eleito apontou a cooperação regional e a coordenação de políticas públicas como ferramentas essenciais para lidar com um problema que, na sua opinião, inclui desafios sociais, económicos e de segurança para os cidadãos. Kast afirmou que a situação na Venezuela é a principal razão do movimento populacional, afirmando que as “actividades da ditadura, da narco-ditadura”, têm causado a migração em massa. Além disso, relacionou estes acontecimentos a fatores externos, mencionando a influência dos Estados Unidos no Caribe e a presença de atores internacionais na crise venezuelana.
A Europa Press informou que após o encontro com o presidente argentino, Javier Milei, Kast sublinhou que os países consultados concordam em definir o estado atual da Venezuela como “inaceitável”. Este consenso leva, segundo o presidente eleito chileno, a encontrar uma solução comum para fazer face ao crescente movimento de pessoas em toda a região.
Durante sua declaração, Kast informou que existem hoje mais de dois milhões de imigrantes vivendo no Chile, dos quais entre 11% e 12% são ilegais. Cerca de 300 mil deles são da Venezuela. Kast disse que a popularidade do Chile como destino de imigração se deve a fatores como a percepção internacional positiva da economia do país, do sistema de saúde e da qualidade da educação oferecida, condições que, segundo ele, têm aumentado a pressão da imigração no país.
O presidente eleito fez uma distinção clara entre os estrangeiros que entram com documentos e contratos de trabalho e os que entram ilegalmente. A Europa Press recolheu a sua declaração, na qual manifestou preocupação com o afluxo de imigrantes não autorizados e sublinhou a necessidade de reforçar o cumprimento das leis de imigração. Kast também enfatizou o papel da Controladoria do Chile, que constatou irregularidades na entrada de estrangeiros no sistema público de saúde, incluindo casos de concessão de licença médica a pessoas que posteriormente deixaram o país.
Como parte da estratégia de regresso, Kast propôs a criação de um corredor humanitário, um sistema que considera legal e seguro para enfrentar os desafios associados à entrada ilegal. A Europa Press explicou detalhadamente que esta abordagem visa equilibrar o planeamento e a proteção do direito de circulação, respeitando ao mesmo tempo os interesses da população.
Além de resolver o problema da migração, Kast e Javier Milei discutiram a importância de reforçar a cooperação nas esferas sociais e económicas da região. Ambos concordaram, segundo a Europa Press, que a magnitude do fenómeno migratório exige uma resposta a longo prazo que envolva todos os países envolvidos.
Em linha com as relações internacionais, a Europa Press referiu que foi considerada a possibilidade de nomear a ex-presidente chilena Michelle Bachelet para o cargo de secretária-geral das Nações Unidas. Kast confirmou os seus planos de se reunir com Bachelet em dezembro para discutir se ela apoiará oficialmente a sua candidatura. Se concluída, Bachelet será a primeira mulher a ocupar este cargo e a segunda latino-americana a liderar a organização, depois de Javier Pérez de Cuéllar.
Segundo a Europa Press, a recepção positiva da iniciativa de Kast por vários governos sul-americanos mostra a tendência para um consenso sobre a necessidade de enfrentar os desafios do aumento da migração, e enfatiza a integração das políticas sul-americanas para enfrentar as consequências imediatas e as causas estruturais destas migrações.















