A disputa entre os Estados Unidos e a Europa sobre o futuro da Gronelândia, que se intensificou depois de o Presidente Trump ter anunciado que planeava impor tarifas a oito países amigos que se opõem ao seu plano de assumir o território dinamarquês, não é a primeira vez que os aliados se chocam.
Desentendimentos profundos surgiram periodicamente desde a Segunda Guerra Mundial, levando a crises diplomáticas transatlânticas.
Aqui estão alguns deles.
Crise de Suez
Quando a França, o Reino Unido e Israel invadiram o Egipto em 1956, com o objectivo de derrubar o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser e recuperar o controlo do Canal de Suez, os Estados Unidos usaram intensa pressão diplomática e económica para o impedir.
A intervenção dos EUA prejudicou gravemente as relações de Washington com Londres e Paris, que foram aliados fundamentais durante a Guerra Fria, e foi um factor-chave no declínio da Europa no pós-guerra.
Guerra do Vietnã
Embora os países europeus, exceto a França, tenham oferecido apoio diplomático aos Estados Unidos, recusaram-se a fornecer tropas.
Os protestos de rua na Europa contra a guerra tiveram um grande custo político para os governos do continente, que tiveram de conciliar o seu apoio aos Estados Unidos com o declínio da sua popularidade interna, e um fardo para as relações transatlânticas.
Crise dos euromíssil
Desde a década de 1970, a implantação de novos mísseis SS-20 que podem atingir rapidamente alvos na Europa Ocidental forçou a OTAN a implantar mísseis balísticos nucleares Pershing e mísseis de cruzeiro dos EUA na Europa para manter um equilíbrio contra as ameaças de armas nucleares.
A medida provocou um alvoroço no continente, onde se aprofundaram os receios de uma nova corrida armamentista. Protestos massivos contra a paz nuclear, com manifestantes muitas vezes a dirigir a sua raiva para Washington, encheram as ruas das capitais europeias na década de 1980.
Invasão do Iraque
A invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003 causou uma grande crise nas relações com a Europa, especialmente com a França e a Alemanha, quando estes se recusaram a apoiar o ataque ao governo do Presidente Saddam Hussein.
Autoridades de Washington repreenderam Paris e Berlim, com o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, referindo-se a eles como “Velha Europa” e elogiando os países do Leste Europeu como “Nova Europa”. A oposição pública à guerra foi generalizada na Europa.
Como parte da “guerra ao terror” pós-11 de Setembro, os Estados Unidos prenderam e por vezes raptaram suspeitos, transferindo-os depois para locais noutros países onde foram interrogados e torturados, muitas vezes fora do alcance da lei americana.
Embora alguns governos europeus tenham concordado com o programa, o clamor público forçou os líderes políticos a condenar a prática.
Guerra na Ucrânia
Quando o Presidente Trump regressou à Casa Branca em Janeiro de 2025, reverteu três anos de política dos EUA sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Trump falou com carinho do presidente russo Vladimir Putin, como fez no passado, friamente com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, repreendendo-o nomeadamente durante uma reunião no Salão Oval. Trump reduziu drasticamente a ajuda militar dos EUA a Kyiv.
Os líderes europeus alarmados, que veem a sua própria segurança em risco na Ucrânia, pressionaram Trump a ficar do lado da Ucrânia.
Estratégia de segurança nacional
A administração Trump apresentou uma nova estratégia de segurança nacional em Dezembro que retrata os aliados europeus como fracos.
Ecoando os comentários dos líderes da extrema-direita na Europa, a avaliação criticou as políticas de imigração e liberdade de expressão dos aliados, sugerindo que enfrentam a “perspectiva de exterminar a civilização” e lançando dúvidas sobre a sua credibilidade a longo prazo como parceiro americano.
Banda comercial
Com a deterioração das relações entre os EUA e a Europa, Trump ameaçou o continente em Julho passado com pesadas tarifas comerciais, no que foi visto como uma medida hostil.
Trump anunciou inicialmente uma tarifa de 30% sobre a União Europeia, composta por 27 países, que é o maior parceiro comercial dos Estados Unidos. Mais tarde, os dois lados concordaram com um sistema comercial que impunha uma tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos.















