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Os grupos armados ilegais na Colômbia cresceram 23,5% e têm mais de 27 mil membros

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Bogotá, 30 janeiro (EFE).- Os grupos armados ilegais crescem na Colômbia e no final de 2025 contavam com mais de 27 mil membros, o que representa um aumento de 23,5% em relação ao ano anterior, segundo um relatório publicado esta sexta-feira pela Fundação Ideias para a Paz (FIP).

“A Colômbia começou este ano eleitoral com uma perspectiva de segurança mais vulnerável do que nos anos anteriores. Longe de estar fora de controlo, o conflito armado intensificou-se, o número de grupos ilegais aumentou e o governo ainda luta para recuperar o controlo sobre grandes áreas”, refere a análise.

Segundo a IFJ, “um dos sinais mais preocupantes da deterioração da segurança é o fortalecimento permanente dos grupos armados”, que em dezembro de 2025 “tinham mais de 27 mil membros, entre homens armados e redes de apoio”, um número que é considerado um recorde e representa cerca de 5 mil mais do que em 2024.

A pesquisa acrescenta que o maior grupo é o Clã do Golfo, principal gangue criminosa do país, que conta com 9.840 integrantes, 30% a mais que em 2024, seguido pelas guerrilhas do Exército de Libertação Nacional (ELN), com 6.810 integrantes, o que representa um aumento de 9% ao ano.

O Estado-Maior Central (EMC), principal oposição à antiga guerrilha das FARC – liderada por Néstor Gregorio Vera, vulgo Iván Mordisco, o homem mais procurado da Colômbia -, tem 4.019 pessoas nas suas fileiras (+23%), enquanto o seu rival, denominado Estado-Maior de Blocos e Frente (EMBF), tem 2.928 membros (+2.958%).

A Coordenação Nacional do Exército Bolivariano (CNEB), que rompeu com a Segunda Marquetalia, outra oposição das FARC, já conta com 2.089 membros (+25%) e mais que o último, que embora tenha aumentado 15% tem 534 membros.

A Força Paramilitar de Defesa da Serra Nevada (ACSN) conta com 620 membros, enquanto os Comuneros del Sur, dissidente do ELN e o grupo que mais avançou nas negociações de paz com o Governo, conta com 251 membros no departamento de Nariño, na fronteira com o Equador, onde opera.

Segundo a FIP, a expansão dos grupos armados ilegais tem três razões principais: “a campanha para expandir o território e fortalecer a governação local, a pressão de novos conflitos – provocados por divisões internas e maior indignação pública – e, por fim, a criação de novas formas de recrutamento, como a oferta de salários e outros incentivos”.

“Nem a acção militar, as negociações, nem as ofertas de rendição individuais foram capazes de reduzir a capacidade de qualquer grupo recrutar e reintegrar-se”, acrescentou.

A FIJ acrescentou que “em 2025, os conflitos entre grupos armados atingiram o nível mais elevado dos últimos 10 anos”, uma vez que os conflitos aumentaram 34% em relação a 2024, passando de 86 para 115.

“Este regresso está relacionado com a ruptura do acordo que permitiu a coexistência anterior entre estes grupos”, como na região de Catatumbo, fronteiriça com a Venezuela, onde o ELN e a 33ª Frente lutam há um ano pelo controlo territorial e pelas rotas do tráfico de droga. EFE



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