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Prisão de jornalistas permanecerá em nível recorde em 2025, informa o CPJ

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O relatório anual do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) afirma que, até 2025, um terço dos denunciantes terá cumprido mais de cinco anos de prisão e quase metade ainda não recebeu uma sentença. Segundo a EFE, os documentos do CPJ indicam que 26% dos jornalistas detidos estão presos há pelo menos cinco anos sem julgamento, um facto que contradiz os padrões internacionais de exigência de um julgamento justo e sem demora injustificada. Este facto ocorre numa situação em que 330 trabalhadores da comunicação social estão presos por motivos diretamente relacionados com o jornalismo, o terceiro número mais elevado desde que a organização começou a monitorizar estes registos em 1992, superando os 384 casos registados em 2024.

Conforme publicado pela EFE, o CPJ no balanço de 2025 descreve um mundo caracterizado pelo fortalecimento de regimes autoritários e pela proliferação de conflitos armados, fatores que influenciaram o aumento das prisões e das restrições à liberdade de imprensa. O relatório destaca que a China, a Birmânia e Israel estão no topo da lista de países com o maior número de jornalistas atrás das grades, seguidos pela Rússia, Bielorrússia e Azerbaijão. A nível regional, a Ásia concentra o maior número de jornalistas presos, com 110 casos, enquanto a Europa e a Ásia Central somam 96, lideradas pela Rússia e seus vizinhos, e o Médio Oriente com o Norte de África chegam a 76, principalmente devido ao número de palestinianos detidos em Israel e de jornalistas nas prisões egípcias. Em África, há 42 denunciantes privados de liberdade, com figuras proeminentes na Eritreia e na Etiópia, enquanto a América regista o número mais baixo, com seis casos, o que inclui casos de perseguição política em países como Venezuela, Nicarágua e Guatemala.

Um inquérito do CPJ concluiu que 61% dos jornalistas presos enfrentam acusações de alegados crimes de Estado, como terrorismo, espionagem ou suborno estrangeiro, e esta tendência é mais pronunciada entre aqueles que cobrem questões políticas. A EFE afirma que a organização alerta para a prática crescente em que as autoridades públicas utilizam leis vagas ou pouco claras para restringir a atividade mediática e silenciar vozes independentes, um fenómeno que tem impacto direto na destruição da democracia e na limitação da responsabilização.

Entre os casos mais representativos registados no relatório, conforme explicado detalhadamente pela EFE, está o do jornalista chinês Dong Yuyu, que foi condenado a sete anos de prisão por espionagem e teve pouco contacto com a sua família durante quatro anos. Outra situação destacou a preocupação do jornalista palestino Farah Abu Ayash, que está atualmente detido em Israel sem quaisquer acusações legais contra ele, e que relatou as condições de isolamento completo e o processo de violência física e médica. No caso da Etiópia, apareceu a jornalista Genet Asmamaw, vítima de terrorismo após reportar os acontecimentos na região de Amhara, enquanto Anastasiya Glukhovska, uma jornalista russa está presa na região ocupada de Zaporizhia desde 2023 sem detalhes claros das suas acusações.

A EFE observa que cerca de um terço dos jornalistas privados de liberdade apresentaram queixas de tortura, enquanto 20% relataram terem sido torturados ou espancados. O Irão, Israel e o Egipto estão entre os países onde estes abusos teriam sido historicamente mais elevados. O relatório cita práticas como isolamento prolongado, má alimentação e tratamento médico, abuso físico e psicológico e ameaças de morte contra detidos.

A organização sublinha que o número de especialistas em informação nas prisões continua elevado e que esta situação representa uma ameaça direta ao direito da sociedade à informação precisa e independente. O CPJ sublinha que a percepção do jornalismo crítico como uma ameaça à segurança nacional e a utilização de um sistema jurídico com critérios indefinidos é um sistema utilizado em muitos países para bloquear muitos meios de comunicação, segundo relatórios compilados pela EFE.



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