A experiência da Austrália na restrição do acesso de menores às plataformas digitais atraiu a atenção da União Europeia, que está a considerar formas de reforçar as medidas de proteção das crianças contra os perigos do mundo digital. Neste contexto, as autoridades comunitárias estão a explorar outras formas de controlar a presença de menores nas redes sociais, em resposta ao interesse crescente de muitos governos nacionais em aumentar o controlo da segurança das crianças na Internet. Conforme noticiado pela Comissão Europeia, a primeira reunião do painel de peritos responsável por analisar e fazer recomendações destinadas a melhorar a proteção dos menores na Internet terá lugar na quinta-feira, em Bruxelas, reunião presidida por Ursula von der Leyen.
Conforme divulgado pela mídia, este grupo de especialistas surge da preocupação manifestada por diferentes governos, como França e Espanha, que levantaram a necessidade de limitar o acesso às redes sociais através do estabelecimento de uma idade mínima. A Comissão Europeia decidiu abordar a proposta com cautela devido aos desafios da implementação deste tipo de regulamento a nível continental. Segundo Thomas Regnier, porta-voz da Soberania Tecnológica da Comissão Europeia, o principal objetivo é preparar uma proposta detalhada que será enviada ao Colégio de Comissários antes do verão.
Hoje, a União Europeia já possui legislação em vigor para regular o mundo digital, nomeadamente a Lei dos Serviços Digitais (DSA). Esta regra é a base da lei para Bruxelas iniciar processos contra grandes plataformas como TikTok e Instagram, caso sejam encontradas irregularidades. A comunicação social noticiou que, apesar destes avanços, diferentes países optaram por desenvolver leis específicas a nível nacional que estabeleçam a idade mínima para aceder às redes sociais, uma acção que a Comissão Europeia considera boa se a obrigação não for imposta numa escala maior do que a definida pela DSA, uma vez que esta responsabilidade só é apropriada para grupos comunitários.
Entre os projetos em curso, encontra-se um piloto publicado pela Comissão Europeia em colaboração com vários Estados-membros, incluindo Espanha, que procura implementar um sistema pan-europeu de verificação de idade para utilizadores que acedam às redes sociais através de dispositivos móveis ou outras plataformas. Ao longo dos últimos meses, esta ferramenta foi testada com o objetivo de adaptar a tecnologia aos aspectos legais e técnicos de cada país participante. Segundo a Comissão, a aplicação correspondente estará disponível na loja de aplicações a partir de março, embora a sua utilização não seja obrigatória em toda a União Europeia até ao final do ano.
A partir daí, a plataforma é obrigada a contar com um mecanismo para verificar a real idade do usuário. De acordo com as directivas europeias, não é necessário utilizar a versão oficial desenvolvida pela Comissão, se os sectores puderem provar que as suas outras soluções proporcionam uma garantia comparável de cumprimento das regras a nível nacional e europeu.
O presidente da Comissão Europeia já se pronunciou em Setembro passado sobre a possibilidade de obrigar os menores a aceder às redes sociais, afirmando claramente os avisos necessários para estabelecer o método e a idade correctos, após consulta ao governo, especialistas, famílias e representantes da sociedade civil. “Os pais, e não os algoritmos, devem educar os nossos filhos”, afirmou Ursula von der Leyen, sublinhando a importância de estudar modelos internacionais como o da Austrália.
Segundo a Comissão Europeia, a decisão sobre a idade mínima de acesso à plataforma digital permanece nas mãos de cada Estado-membro. Apesar da existência de um quadro jurídico comum, os países da UE mantêm o poder de adaptar e aplicar estas regras com base nas prioridades e circunstâncias nacionais.
O crescente interesse dos governos nacionais em legislar sobre o acesso de menores às redes sociais coincide com o desenvolvimento de novas plataformas e a expansão de conteúdos dirigidos ao público jovem. Neste panorama, a utilização de ferramentas tecnológicas para verificação da idade e planeamento de políticas a nível europeu é a base do debate atual, segundo dados publicados pela Comissão Europeia.
A agenda do painel de especialistas antecipa futuras reuniões, cujo calendário ainda não foi definido. O objectivo declarado é apresentar propostas específicas antes do verão que incluam aspectos como a implementação do sistema de verificação de idade, a experiência de outros países e a harmonização das regras de protecção da criança no mundo digital europeu, em linha com o que as autoridades da comunidade têm relatado.















