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Uruguai descreve acordo UE-Mercosul como “tropeço” em tribunal

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Montevidéu, 21 de janeiro (EFE).- O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Mario Lubetkin, descreveu nesta quarta-feira como um “choque” a decisão do Parlamento Europeu de encaminhar o acordo com o Mercosul ao sistema judicial da comunidade para revisão legal e garantiu que o Governo manterá o processo de aprovação “muito rigoroso”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros garantiu hoje que, apesar da incerteza causada poucos dias após a assinatura em Assunção, o Executivo dará continuidade ao procedimento interno com o objetivo de ser o primeiro país a ratificar o documento, antes de meados do ano.

Na conferência de imprensa, Lubetkin explicou que a votação no Parlamento Europeu foi determinada por “apenas 10 votos” numa sala com mais de 700 lugares, o que na sua opinião mostra a complexidade do debate na sociedade europeia.

Assim, com 334 votos a favor, 324 contra e onze abstenções, o Parlamento Europeu deu luz verde a uma moção que questiona se o acordo com o Mercosul, assinado no passado sábado depois de mais de um quarto de século de negociações, respeita o acordo com a União Europeia.

A legalidade do sistema de equilíbrio e a base jurídica do acordo que permite a ratificação dos sindicatos sem a aprovação do parlamento nacional estão agora a ser questionadas.

Embora Lubetkin tenha admitido que normalmente demora “entre 18 e 24 meses” para o Tribunal da UE emitir o seu parecer, ele estava confiante, citando exemplos como o Canadá e Singapura, onde os tribunais decidiram a favor dos acordos.

“Não temos dúvidas de que só o Tribunal irá verificar o que foi assinado no sábado”, afirmou.

Para avançar no nível local, o Uruguai aguarda a chegada dos documentos certificados do Paraguai para enviar o artigo ao Parlamento e aí iniciar a discussão.

O ministro apelou às forças políticas nacionais para que façam desta “recessão” uma oportunidade de mostrar unidade e força, para fortalecer o acordo como política de Estado.

O chefe da diplomacia uruguaia anunciou que tentará contactar dentro de poucas horas os responsáveis ​​da Comissão Europeia presentes no Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, para explicar a extensão desta decisão.

Da mesma forma, Lubetkin sublinhou que este revés não altera a estratégia de integração internacional do país. Salientou que, da mesma forma, continuam activas as negociações para adesão à Parceria Trans-Pacífico (CPTPP) e com os Emirados Árabes Unidos e a Índia, entre outros países.

Além disso, também confirmou a visita em breve à China, que será realizada em dez dias e contará com as maiores delegações empresariais que acompanharam o presidente do Uruguai. EFE

(foto) (vídeo)



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