Entre os manifestantes que se reuniram em frente à Câmara Municipal de Bilbau, houve uma exigência de liberdade para os presos políticos venezuelanos, preocupação com a situação dos dois cidadãos de Bilbau detidos na Venezuela e um apelo à comunidade internacional para acompanhar o processo político após a detenção de Nicolás Maduro. Segundo os meios de comunicação que cobriram a campanha, a plataforma “Venezolanos Bilbao Bizkaia” liderou um dia de celebração que reuniu dezenas de pessoas com o objetivo de apoiar a transição “pacífica e pacífica” liderada por Edmundo González, que consideram ser o presidente eleito nas eleições de 2024.
O evento foi realizado em frente à Câmara Municipal e começou às cinco da tarde, embora as pessoas já se tivessem reunido alguns minutos antes. Segundo fontes, a multidão aplaudiu a prisão de Maduro com música, dança e slogans, incluindo frases como “ele caiu, a ditadura caiu”, “viva a Venezuela livre” e “liberdade, liberdade”. Os manifestantes cantaram a canção “Venezuela” de Luis Silva, que muitos na plateia descreveram como o hino nacional conhecido por todos os venezuelanos.
A convocatória contou com a presença de figuras políticas como o parlamentar do PNV Mikel Arruabarrena, o ex-porta-voz do PNV no Congresso dos Deputados, Iñaki Anasagasti, e a secretária-geral do Partido Popular Basco, Esther Martínez. Conforme noticiado pela mídia, Pedro Gil, porta-voz da plataforma organizadora, enfatizou que a manifestação pretendia mostrar apoio ao que chamou de “cirurgia” que levou à prisão de Maduro. Descreveu-o como alguém que não exerce legalmente a sua presidência e manifestou a esperança de que este facto represente uma oportunidade para abrir uma nova fase na Venezuela.
Gil destacou que, além da comemoração, o motivo da manifestação é exigir o respeito aos resultados das eleições de 28 de julho, nas quais, segundo os manifestantes, Edmundo González foi eleito por vontade popular. Enfatizou também a necessidade de uma transição tranquila e pacífica e reiterou que os cidadãos venezuelanos estão prontos para este processo.
Durante o comício, um dos eixos levantados pelos organizadores foi a exigência da libertação imediata de todos os presos políticos, tanto civis como militares, presos durante o regime de Maduro. Entre eles, Pedro Gil mencionou especificamente dois cidadãos de Bilbau cujo paradeiro e circunstâncias ainda não foram esclarecidos, causando preocupação à comunidade venezuelana que vive em Espanha.
Porta-vozes do sector manifestaram preocupação com uma possível retaliação do regime contra os presos, e afirmaram que mais de 1.000 venezuelanos continuam privados da sua liberdade por motivos políticos, após participarem em protestos ou por estarem no local errado, segundo declarações recolhidas pelos meios de comunicação social. Gil confirmou que, apesar do temor pela situação dos cativos, eles comemoram a prisão de Maduro e acham que é preciso “pagar pelos seus crimes”.
A mídia explicou que, em relação à reação internacional, Gil discutiu a posição expressa por Donald Trump, que disse não considerar María Corina Machado a melhor pessoa para liderar a transição. Gil respondeu que há uma discrepância entre as declarações públicas e a realidade do processo e exige paciência, confiante de que tanto Machado quanto González conseguirão avançar na busca de uma transição democrática e pacífica. Também comentou a possibilidade da vice-presidente Delcy Rodríguez, destacando que tanto González quanto Machado mantêm contato regular com o secretário de Estado, Marco Rubio.
Usando a experiência espanhola como exemplo, Pedro Gil disse que durante a transição democrática, parte do regime anterior permaneceu no poder durante algum tempo para facilitar a mudança. Enfatizou que a Venezuela não viverá a guerra, porque a cultura política da população é pacífica e democrática, uma mensagem que ressoou no público e foi acompanhada por novas canções e músicas.
Durante a manifestação, muitos dos presentes carregaram bandeiras venezuelanas, cubanas e nicaraguenses, aumentando a exigência de liberdade para esses países, de acordo com a história publicada da manifestação.
Entre os participantes, Iñaki Anasagasti — nascido na Venezuela e porta-voz do PNV no Congresso — falou expressando satisfação com a queda de Maduro, destacando os fatores que, do seu ponto de vista, definem a situação no país sul-americano: o deslocamento de nove milhões de pessoas, a repressão política, a presença de cubanos no governo e nos serviços de inteligência, e o caso de Bilbao. Segundo disse aos meios de comunicação, Anasagasti declarou desconhecer os argumentos de EH Bildu, Podemos e Sumar para negar o incidente e falou sobre a influência cubana na administração venezuelana.
Relativamente à posição do governo espanhol, o antigo porta-voz do PNV recomendou o rápido reconhecimento do governo de Edmundo González e o Presidente Pedro Sánchez felicita publicamente María Corina Machado pelo Prémio Nobel da Paz. Também propôs distanciar-se do ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero para facilitar a mediação no novo ambiente político.
Com o passar do dia, o número de participantes foi aumentando, até que a notícia chegou à Polícia local que teve de pedir às pessoas que se deslocassem para a berma da estrada em frente à escadaria da Câmara Municipal por segurança.
Durante o comício, houve um clima de atividade política na música, no canto e na dança, com símbolos nacionais e referências constantes à necessidade de respeitar os direitos humanos e a vontade do povo. Pessoas de diversos países aderiram ao movimento, entoando a exigência de liberdade não só para a Venezuela, mas também para Cuba e Nicarágua, como uma demonstração de solidariedade no processo de mudança política na região, segundo fontes que cobriram o comício.















