O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, agradeceu este domingo a “solidariedade” e “irmandade” do seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, depois de ter enviado ajuda humanitária à ilha no meio de uma crise económica agravada pelo bloqueio do governo dos Estados Unidos.
“Profunda gratidão ao presidente Gustavo Petro e ao povo colombiano por enviar ajuda ao honrado povo cubano. Esta solidariedade chega até nós em dias difíceis”, refletiu o presidente cubano, dizendo que “a fraternidade não pode ser parada” numa mensagem direta à política de bloqueio económico e energético da administração Trump.
A carga foi transferida para o navio ARC Caribe, da Marinha da Colômbia, que continha quase 100 toneladas de ajuda humanitária. O navio partiu no dia 5 de junho com o objetivo de “fazer face às consequências do furacão Melissa”, bem como “aliviar as graves dificuldades causadas pela atual crise económica e energética” que afeta o país caribenho.
“Este envio de ajuda humanitária a Cuba é uma expressão da solidariedade que une o nosso povo e da convicção de que, perante as dificuldades, a resposta deve ser a cooperação e o apoio mútuo”, afirmou a diretora da Embaixada Presidencial para a Cooperação Internacional na Colômbia, Alexandra Palencia.
KOBA anuncia reformas para libertar a sua economia das sanções dos EUA.
Díaz-Canel anunciou inesperadamente na sexta-feira passada um pacote de reformas estruturais destinadas a liberalizar a economia da ilha, inspiradas no modelo económico de mercado da China e do Vietname, com o objetivo de contrariar o impacto das sanções económicas e energéticas face ao que se pode deduzir como uma forma de exigir a Casa Branca.
O projeto, que busca tornar mais leve o atual sistema da economia planejada, considera a maior abertura ao setor privado, a participação de empresas públicas no mercado de câmbio, a autorização de investimentos de cidadãos cubanos no exterior e a redução da burocracia para incentivar a produção nacional.
Desta forma, as medidas propostas pela liderança cubana surgem após a pressão económica do presidente norte-americano sobre Cuba nos últimos meses, e visam forçar reformas políticas e económicas na ilha. Uma pressão que, segundo Díaz-Canel, “tem um efeito que dificulta o dia a dia dos cubanos”.
Recentemente, Washington sancionou o presidente de Cuba e outras quatro pessoas, incluindo o seu antecessor, Raúl Castro. Tudo isto faz parte do reforço da pressão sobre a ilha, sobretudo desde o início do ano, através do bloqueio ‘de facto’ ao petróleo, que o presidente da ilha chamou de “castigo colectivo” que equivale, na sua opinião, a “um acto de homicídio”.















