Esta quinta-feira assinala-se o 20º aniversário do referendo para renovar o estatuto de autonomia da Catalunha (que teve lugar no domingo, 18 de junho de 2026), princípio confirmado após meses de negociações; Consenso parlamentar; com grandes alterações nos artigos aprovados no Congresso, e o Tribunal Constitucional (TC) também foi reduzido.
O dia da eleição confirmou o apoio da maioria catalã ao Estatut, embora a participação tenha sido inferior (2.570.256 votos, 49,4%) à do referendo de 1979 (59,3%) e à participação média nas eleições para o Parlamento de 1980 até agora (62,6%).
O “sim” venceu com 73,9% de apoios (1.882.533 votos), o “não” obteve 20,7% (528.745 votos), enquanto 5,3% votaram não (135.982) e 0,9% estiveram ausentes (22.996 votos).
PROGRESSO NA SOBERANIA NACIONAL E PRIMEIRA LIBERDADE
O projeto de renovação do Estatuto de Sau de 1979 foi o principal compromisso do então presidente da Generalitat, Pasqual Maragall, e do primeiro governo ‘tripartite’ de PSC, ERC e ICV.
Após vários meses de negociações entre os três partidos e a CiU, liderada por Artur Mas, o chamado Estatut de Miravet recebeu luz verde no Parlamento em 30 de setembro de 2005, e o seu nome foi esclarecido porque foi nesta cidade de Tarragona que ocorreu a principal discussão.
A reforma significa um grande avanço na soberania da Catalunha, em áreas como financiamento e gestão fiscal, poder judicial e poder pessoal e, no primeiro artigo, diz: “A Catalunha é um país”.
Estes elementos foram reduzidos nas negociações com o PSOE quando o texto chegou ao Congresso e apesar das palavras ditas pelo então líder da oposição em 2003, José Luis Rodríguez Zapatero, que liderou a Espanha entre 2004 e 2022: “Apoiarei a renovação da Carta da Catalunha”.
De ‘país’ para ‘país’
Após o acordo entre Zapatero e Mas em Janeiro de 2006 em Moncloa, cerca de metade do texto foi alterado, e o conceito de ‘nação’ foi reservado para o preâmbulo da norma (declaração em vez de normativa) e ‘nação’ foi escolhido.
No que diz respeito ao financiamento e gestão dos impostos, o primeiro artigo estabelecia a criação de uma agência fiscal na Catalunha que deveria cobrar e gerir 100% dos impostos, que permaneceram no consórcio conjunto do final.
Estas alterações fizeram com que a ERC, que inicialmente fez parte do consenso com a CiU, PSC e ICV para aprovar o primeiro texto, decidisse pedir ‘não’ no referendo (tal como o PP, mas pela razão oposta), o que levou Maragall a expulsar os vereadores republicanos do Governo e a convocar eleições antes do outono de 2006.
O ESTADO DA PALAVRA
Os apoiantes do partido do ‘sim’ celebraram o resultado: Maragall confirmou que com o novo sistema jurídico na Catalunha o “desastre” pode acabar e apelou ao ERC e ao PP para se juntarem ao consenso, e Zapatero destacou o amplo apoio que, na sua opinião, o projeto no referendo.
Mas considerou que uma boa Lei deve ser acompanhada de um bom Governo, relativamente à crise política ‘tripartida’ e à convocação das próximas eleições, e o presidente do ICV, Joan Saura, disse que a falta de participação é a “guerra” entre os partidos e a falta de unidade.
O presidente da ERC, Josep Lluís Carod-Rovira, admitiu a derrota do ‘não’ depois de evitar o consenso, mas apontou a indiferença “muito elevada”; e do PP, o presidente do partido e líder da oposição na época, Mariano Rajoy, exigiu que Zapatero fosse impedido de implementá-la porque dois em cada três catalães não aprovaram a Constituição, dada a baixa participação.
TRIBUNAL DO TC
A Carta entrou em vigor no verão de 2006, mas poucos dias depois do referendo, o PP interpôs recurso de inconstitucionalidade ao TC, altura em que foi aberto o período provisório até ao decreto de julho de 2010.
A decisão declarou inconstitucional e anulou vários artigos referentes ao catalão, às instituições judiciais e ao financiamento, entre outros, e decidiu que muitos outros que se referiam ao conceito de ‘nação’ no preâmbulo, à educação, aos poderes especiais e ao investimento do Estado na Catalunha podem ser mantidos, mas interpretados de forma restritiva.
A proposta de que o Tribunal de Recurso da Catalunha (TJSC) fosse o tribunal final da Catalunha ou a criação do Consell de Justicia de Catalunya para substituir o Supremo Tribunal (TS) e o Conselho Central de Justiça (CGPJ) falhou.
Esta frase marcou politicamente a década seguinte na Catalunha, até que muitos anos depois foi considerada a chama que acendeu os ‘procés’, e começou com a manifestação em 2010 que, sob o lema ‘Som una nacer, nosos decidim’, reuniu mais de um milhão de catalães em Barcelona.















