O presidente do Chile, José Antonio Kast, convocou quinta-feira a reunião no La Moneda entre os representantes dos três poderes do Estado para resolver o escândalo publicado pela suposta entrada ilegal no país entre janeiro e outubro de 2025 de mais de 200 crianças do Haiti cujo paradeiro atual é desconhecido, segundo um comunicado da Controladoria.
O Ministro do Interior chileno, Claudio Alvarado, anunciou em comunicado que foi convocada uma reunião para as 8h (hora local) com “várias autoridades do Estado, incluindo o Supremo Tribunal, o Congresso Nacional, o Ministério de Estado e a Controladoria”.
Da mesma forma, sublinhou que também são chamados os representantes do ministério “que possam apoiar e fornecer informação”, pelo que o objectivo é “analisar os antecedentes e estabelecer uma coordenação dentro das instituições governamentais que possam responder adequadamente a esta emergência”. Os menores podem ter entrado no país no âmbito do programa de reagrupamento familiar.
Alvarado disse ter ordenado ao Kast que “agisse com a máxima urgência” para “abordar as irregularidades, erros e crimes que possam ocorrer no contexto do grande e descontrolado afluxo de crianças haitianas no Chile nos últimos anos”, antes de lembrar que as autoridades estão a trabalhar para resolver as “graves queixas” sobre o assunto.
“Por trás de cada caso há rapazes ou raparigas, e é isso que nos preocupa”, disse o ministro, que notou ainda que o governo decidiu reunir os vários ministérios e “convidar” as forças de segurança “a iniciarem o trabalho conjunto das instituições governamentais que permitirá a recolha rigorosa e séria de toda a informação disponível e ordenará a actuação do Estado contra a falta de informação”.
Neste sentido, confirmou que “a coordenação deste trabalho caberá à Ministra do Desenvolvimento Social María Jesús Wulf, que anunciará os esforços dos diferentes ministérios e departamentos”, e anunciou a criação de “forças especiais” para “identificar, pesquisar e confirmar a informação que determina sem demora se alguma criança haitiana foi violada ou tem direitos”.
“O Estado do Chile tem um dever para com cada uma destas crianças e nós o cumpriremos. Não descansaremos até termos a certeza do seu paradeiro e da saúde de cada uma”, sublinhou Alvarado, sublinhando que “o importante agora são as crianças e não a responsabilidade administrativa ou política”.
As palavras de Alvarado surgiram horas depois de a Câmara dos Deputados chilena ter aprovado a criação de uma comissão especial de investigação “para analisar as ações do Governo relacionadas com o acesso, controlo de imigração, registo, monitorização e proteção de crianças e jovens estrangeiros”, segundo um comunicado divulgado pela organização.
O objetivo da comissão é “recolher informação sobre as medidas tomadas pelos organismos públicos em resposta a alertas, reclamações ou situações que possam representar risco de violação de direitos, tráfico de pessoas ou contrabando”, devido à incerteza sobre o número de menores que entraram no país sem documentos suficientes e onde se encontram neste momento.
UNICEF PEDE EXPLICAÇÕES
Por outro lado, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apelou às autoridades chilenas para “esclarecerem o mais rapidamente possível a situação e o paradeiro destas crianças e jovens”. “Esta é uma denúncia grave, que exige total seriedade na sua investigação”, afirmou.
“O Chile tem um sistema jurídico que regula a migração de crianças e jovens: a lei 21.430, que criou o sistema de garantias, e a lei 21.325 sobre migração e emigração, estabelecendo em particular as responsabilidades dos vários atores envolvidos no processo migratório para que cumpram a sua responsabilidade pela proteção das crianças e jovens”, afirmou.
A organização sublinhou que “é urgente conhecer a localização destas crianças e jovens, que nela participaram, bem como os métodos de investigação que estão a ser realizados pelas instituições públicas”.















