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Viva sobre rodas em oito metros quadrados para resolver a crise imobiliária

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Coroas Vitória

Málaga, 20 de junho (EFE).- O aumento do preço do aluguel ou a falta de poder de compra dos trabalhadores é a principal razão pela qual cada vez mais pessoas vivem como solução de emergência numa garagem, em pouco mais de oito metros quadrados, embora também haja quem a ame como modo de vida.

Em zonas como a praia de Sacaba, na cidade de Málaga, comboios e motos param a poucos metros de edifícios luxuosos onde as casas são vendidas por milhões de euros. Noutros locais, como o Hospital Costa del Sol, em Marbella, alguns dos seus profissionais de saúde optaram por passar a noite no parque de estacionamento.

Mais de uma centena de automóveis compõem o balneário de Sacaba, onde os moradores explicaram à EFE que isso se deve aos “salários baixos”, ao trabalho “difícil” e às rendas “em constante aumento”.

Os moradores desta nova “aldeia” afirmaram que “a população duplicou nos últimos seis meses”, e que “dificilmente há uma semana” em que “pelo menos duas famílias não venham perguntar sobre este modo de vida”.

Rafa, funcionário do aeroporto, explicou que está “mais tranquilo” a viver no seu motor, apesar das dificuldades de adaptação, do que quando vivia num apartamento, onde era obrigado a “usar cartões de crédito para sobreviver”.

Este homem, que optou por conduzir após o fim do casamento, detalhou que vivia “todos os dias” e defendeu que embora muitas vezes sejam vistos por fora como “hippies”, a única diferença entre eles é o divórcio.

A necessidade é o ponto comum da maioria dos moradores deste município, e Jesús – nome fictício -, um dos mais velhos do local, relatou que “o que falta é que tragam comida” e devem ser atendidos pelas organizações e secretarias do município.

Jesús garantiu ainda que mais de metade dos que vivem nas autocaravanas são “pobres” e disse que “nem toda a gente tem 800 euros para alugar”.

Os vizinhos, que vivem no local de uma antiga central de gás butano, disseram à EFE que não sabem estimar quando partiram, porque “não se sabe” se poderão ser despejados.

Já Lola – seu nome de fantasia – reclama que não gosta de seu estilo de vida e diz que sai frequentemente em busca de trabalho “qualquer coisa” e comida.

Do seu motor, “o pior”, segundo ele, disse que “sofre muito” por falta de higiene e falta de água, porque lá não consegue nem “banhar”.

Outra vizinha, que cuida de uma idosa e teve que sair do quarto onde morava por não ter condições de pagar, reclamou que “as classes baixa e média não conseguem morar” e pediu um lugar para ir caso tivessem que sair daquele andar.

“Obviamente eu ficaria aqui se pudesse, acho que todos nós ficaríamos”, disse ele. Ele criticou as instituições nacionais, regionais e municipais pelos altos aluguéis e salários básicos.

Embora a maior parte dos habitantes do assentamento tenha chegado a esta situação por necessidade, há quem opte por este modo de vida por considerá-lo mais sustentável e sentir-se mais “livre”, embora todos os vizinhos concordem com o sacrifício.

Foi o que aconteceu com Silvio e María, um casal argentino que veio para Espanha há mais de 25 anos e decidiu fazer esta “escolha de estilo de vida”, embora lamentem que “não seja visto o suficiente” e tenha má reputação.

Ambos concordam que para uma vida assim “não é preciso ser jovem, basta ter os serviços necessários”, e destacaram o intercâmbio cultural como uma das coisas que mais gostam na vida sobre rodas. EFE

(Imagem) (Vídeo) (Áudio)



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