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‘The Violinist’, uma carta de amor à música em Annecy com selos de Singapura e Espanha

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Paris, 23 de junho (EFE).- Co-dirigido pelo cingapuriano Ervin Han e pelo espanhol Raúl García, o filme ‘O Violinista’ quer ganhar o prêmio máximo do Festival de Annecy – o maior do mundo da animação – com uma história de amor contada na linguagem da música, ambientada na Segunda Guerra Mundial na Ásia-Pacífico.

“Há algo de muito especial em fazer um filme sobre algo que não se conhece”, explicou García à EFE, em entrevista ao co-realizador deste filme, que em fase de produção também tem as bandeiras de Singapura, Espanha e Itália.

Este ator madrileno – que apareceu em filmes como ‘Hércules’ ou ‘Aladdin’ – não sabia muito sobre o país asiático ou a sua história quando se mudou para lá para trabalhar, admitiu García, mas o que soube rapidamente depois de o conhecer, há quase dez anos, foi que queria trabalhar com Han.

A partir de uma das curtas-metragens desenvolvidas pelo pequeno estúdio deste último, começaram a criar um filme, uma verdadeira conquista num país onde, nas palavras de Han, “não existe indústria de animação” e onde o último filme deste género foi feito há 15 anos.

“Há apenas 6 milhões de pessoas em Singapura, não há mercado interno, esta é uma das razões pelas quais não há indústria”, explicou o diretor asiático.

Portanto, se começassem a trabalhar num filme, precisavam de uma história universal e nada mais do que a linguagem da música, disse García.

O filme começa com um jornalista valenciano à procura de um famoso violinista de Singapura que admira, para lhe mostrar as fotos antigas que encontrou e resolver o mistério do violino que tocava.

Assim termina com a descoberta da vida de dois jovens violinistas, Kai e Fei, que estão ligados desde a infância, mas os seus sonhos são interrompidos pela invasão japonesa da região, na Segunda Guerra Mundial.

“Desde o primeiro momento sabíamos que era necessário atravessar fronteiras”, destacou Han, embora ‘O Violinista’ seja uma oportunidade para contar uma história muito pessoal que não é mostrada no cinema por causa de outras situações sobre a maior guerra do século XX: como o povo da região de Singapura viveu a Segunda Guerra Mundial.

Enfim, neste vídeo que quer a famosa Annecy Crystal, até a música tem pelo menos duas nacionalidades, porque foi assinada por Ricky Ho, de Singapura, e Isabel Latorre, da Espanha.

“É quase outro personagem do filme”, explicou Han sobre a trilha sonora, que evoluiu com o elenco ao longo de oito décadas e começou a ser gravada no início da produção, abrangendo locais como Taipei, Cingapura, Espanha e Eslováquia.

O festival Annecy 2026, que começou no domingo passado, publicará a sua lista de prémios no dia 27 de junho.

A par de ‘O Violinista’, títulos como o espanhol ‘Decorado’, de Alberto Vázquez, a produção franco-belga ‘In Waves’, o canadiano ‘Tangles’ e o japonês ‘We Are Aliens’ vão competir em Crystal Annecy.

“Não esperava entrar na competição principal, nenhum filme produzido em Singapura conseguiu”, comemorou Han. EFE

ngp/ac/ah



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