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Mercosul planeja fechar lacunas internas no acordo da UE e voltar seus olhos para a Ásia

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Assunção, 28 de junho (EFE).- Os países do Mercosul procurarão na segunda e terça-feira colmatar as lacunas internas do acordo de livre comércio com a União Europeia (UE), quando realizarem o Conselho do Mercado Comum e a 68ª Cimeira de Chefes de Estado no Paraguai, ao mesmo tempo que lançam as bases do Acordo de Parceria Económica (APE) com o Japão.

Como de costume, a reunião técnica a portas fechadas sobre temas como migração e comércio entre os cinco membros plenos: Argentina, Brasil, Bolívia – que passa pelo processo de harmonização do sistema jurídico – Paraguai e Uruguai, começou sábado na cidade de Luque, perto de Assunção.

Mas sobretudo na distribuição de quotas de exportação sem pagamento para a União Europeia, um aspecto a focar no debate.

O governo do Paraguai afirma que pretende obter 25% da quota de exportação em todas as áreas possíveis. Mesmo em países que não se destacam em poder de produção, como é o caso da carne de frango.

Neste caso, disse à EFE o ministro do Comércio e Serviços do Paraguai, Alberto Sborovsky, “uma questão prioritária” porque evitará que a “lei da selva” prevaleça entre os parceiros do Mercosul, que são “primeiro a chegar, primeiro a servir”.

Em Janeiro passado, a UE e o Mercosul assinaram um acordo de comércio livre que abriu o mercado a mais de setecentos milhões de consumidores.

No âmbito deste acordo, cujo pilar comercial entrou em vigor no dia 1 de maio, a Argentina enviou o primeiro carregamento de mel natural para o Velho Continente, apenas uma semana depois de o país ter ratificado o acordo.

Depois, os exportadores argentinos apressaram-se a solicitar licenças e em poucas semanas ultrapassaram o prazo dado ao Mercosul para o mel, bem como para os ovos e o arroz, e os receios do Paraguai concretizaram-se.

A este respeito, a vice-presidente uruguaia, Valeria Csukasi, disse à EFE que a distribuição de quotas deixou de ser técnica e passou a ser uma decisão política, já que os quatro países mantêm posições diferentes procurando aumentar os seus lucros e evitar o “fracasso total”.

O Mercosul também deverá informar ao final da conferência sobre o início das negociações com o Japão, mercado com mais de 120 milhões de consumidores.

Há poucos dias, o próprio grupo sul-americano anunciou a próxima discussão sobre este assunto após o encontro entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro japonês, Takaichi Sanae, à margem da Cúpula do G7 realizada na França.

Da mesma forma, Csukasi disse à EFE que a presidência uruguaia pretende começar a fortalecer o acordo existente com a Índia e conduzir negociações com o Vietname.

Cerca de 800 pessoas de 12 delegações, representantes de organismos internacionais e parlamentares de vários países participarão da conferência, disse o chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, durante entrevista coletiva.

Da mesma forma, a Conferência de Presidentes deverá contar com a presença dos líderes dos 5 países membros do Mercosul: Javier Milei da Argentina, Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil, Rodrigo Paz da Bolívia, Santiago Peña, pelo anfitrião Paraguai, e Yamadú Orsi do Uruguai.

A eles se juntarão os presidentes José Antonio Kast, do Chile, e Daniel Noboa, do Equador.

Participarão também os chanceleres da Colômbia, Chile e Panamá, estados associados ao Mercosul.

O Paraguai encerrará seu mandato com a conclusão da assinatura do acordo de livre comércio com a União Europeia, que os dois grupos negociam há mais de um quarto de século e que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio.



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