La Paz, 28 de junho (EFE).- A Provedoria de Justiça da Bolívia alertou neste domingo que continuam os obstáculos à implementação do direito à mudança de identidade das pessoas trans no país e apela ao fortalecimento da cultura de inclusão desta população no dia internacional do Dia do Orgulho LGBTIQ+.
A organização de direitos humanos demonstrou num comunicado que, dez anos depois da Lei de Identidade de Género, publicada em 2016, “ainda existem barreiras administrativas, sociais e culturais que limitam a plena implementação deste direito”.
A Provedoria de Justiça salientou que, nos dez anos de implementação desta norma, ocorreram 853 procedimentos de alteração de identidade, mas, apesar disso, ainda enfrentam restrições no acesso, nas mesmas condições, “à saúde, à educação, ao trabalho, à segurança social e a outros direitos básicos”.
“Na actual situação do país, fortalecer a cultura do respeito mútuo, da integração e da convivência democrática é um desafio partilhado por todos”, afirmou.
A agência anunciou que em 2027 está prevista a realização do ‘segundo inquérito virtual a pessoas com diferentes orientações sexuais, identidades e expressões de género’, com o objetivo de “criar informação que contribua para o desenvolvimento de políticas públicas” em benefício desta população.
O Provedor de Justiça apelou às instituições governamentais, às organizações sociais, ao meio académico, aos meios de comunicação social e aos cidadãos para “unirem esforços para eliminar toda a discriminação e violência” e “promoverem o respeito pela diversidade”.
Na véspera, a comunidade LGBTIQ+ realizou uma marcha regular no dia 28 de junho nas cidades de Cochabamba e Santa Cruz, para exigir o respeito pelos seus direitos.
“Você não gosta da minha orientação” e “Exijo respeito pelas minhas diferenças” estavam entre os slogans exibidos pelos ativistas em faixas e grandes cartazes.
O evento combinou expressão artística, apresentações musicais e a presença de rainhas da beleza LGBTIQ+, além do uso do símbolo do arco-íris em bandeiras nacionais, pulseiras, pulseiras e roupas.
Na sexta-feira, activistas em Santa Cruz realizaram a “Marcha Política” da comunidade LGBTIQ+, que incluiu reivindicações de acesso ao Tribunal em igualdade de condições em diversas instituições.
Em maio, a Provedoria de Justiça apelou ao Estado boliviano para garantir os direitos das pessoas LGBTIQ+ face à violência persistente e aos crimes de ódio contra pessoas com orientação sexual e identidade de género.
Em 2025, a organização de proteção registou 72 denúncias por violações dos direitos LGBTIQ+, principalmente nos departamentos de Santa Cruz (19), La Paz (12) e Cochabamba (10), que são os mais populosos da Bolívia.
Segundo este relatório, as instituições com mais reclamações são o Ministério Público, o governo municipal, os tribunais do departamento de justiça, a Polícia Boliviana e o serviço de saúde, que, segundo a Defensoria do Povo, mantêm barreiras ao acesso à justiça e aos serviços necessários. EFE















