Início Notícias Ortega López, historiador: “A igualdade está em um momento de maior perigo”

Ortega López, historiador: “A igualdade está em um momento de maior perigo”

9
0

Maria Ruiz

Granada, 4 jul (EFE).- A investigadora e professora da Universidade de Granada Teresa Ortega López revê num livro a história do antifeminismo, olhando para o movimento “que existe sempre que há feminismo”, bem como nos partidos de esquerda, mas que agora é movido pela retórica do negacionismo e pelas redes sociais.

Ortega López é professora de história contemporânea na Universidade de Granada e a sua investigação como especialista em história social analisa o papel das mulheres camponesas no século XX, das mulheres na ditadura de Primo de Rivera e do feminismo rural.

Com a ajuda de Cátedra, esta académica publicou “Isto até onde estamos. História da resistência ao feminismo em Espanha, um livro que analisa a natureza da luta pela igualdade desde o início do século passado até ao presente, desde o início da modernidade até às redes sociais.

“Resultou da análise do presente que está relacionado com as notícias que apareceram, como as que destacam que 44% dos homens acham que a lei da igualdade foi longe demais e que as mulheres têm demais”, explicou em entrevista à EFE.

O livro analisa mais de cem anos de luta com uma abordagem científica que inclui estatísticas, palavras ou bibliografia, apoia a criação de um cenário com muitas semelhanças apesar da passagem de décadas.

Entre as notícias escritas por Ortega López neste livro está também um estudo que mostra que, para os jovens, a violência contra homens e mulheres é produto de uma ideologia.

“O feminismo está numa situação difícil e a igualdade está num momento de maior perigo. No século XXI existem outros canais que facilitam o discurso de ódio, de forma anónima ou mesmo sem ele, porque não faz sentido negar a igualdade”, concluiu.

Esta especialista define o antifeminismo como um sistema político bem estruturado contra a igualdade entre homens e mulheres, afirmando que surge sempre que há luta pela igualdade e defendendo que não é o mesmo que machismo ou misoginia.

“O antifeminismo sempre existiu, existirá enquanto o feminismo existir e tiver um percurso histórico. Está sempre aí, só muda de aparência porque se enquadra no contexto da história”, acrescentou.

Numa altura em que os Estados Unidos publicam revistas “mulheres, não feministas”, os novos canais são como as vozes de YouTubers ou criadoras de conteúdos que se apresentam como donas de casa dedicadas a limpar, cozinhar e agradar aos maridos para defender o conceito de família tradicional.

“Isto afecta os mais novos, não só nos rapazes, mas também nas mulheres. Também abordam o discurso, de forma mais lenta, mas também sem interrupção, sobre mensagens populistas que falam da ausência de violência entre homens e mulheres e defendem que tudo isto é fruto de uma má ideologia”, alertou o especialista.

Ortega López vincula este tipo de comportamento ao movimento político contra a luta feminista, espanhol, mas também a “algo” internacional que está presente na agenda social e política do mundo ocidental.

Esclarecendo que o antifeminismo, sempre presente, é por vezes evidente, baseado numa retórica reaccionária para destruir as leis que apoiam a igualdade, como no regime de Franco; e, outras vezes, é expresso de forma mais sutil, “até parecer nada”.

“É um ataque das mulheres que não negam a igualdade, mas estabelecem limites. Acham que não é a primeira condição, não é negada, mas não é colocada noutra agenda como a economia”, disse.

“A famosa frase ‘esta não é a hora’ ouve-se do partido de centro, da direita, mas também da esquerda, o que destaca o livro. O antifeminismo não é incomum na cultura de direita, conservadora e católica, e também existe no establishment associado à esquerda”, lembra a professora.

Ortega López descreve a situação atual como difícil devido ao impacto da mensagem de alguns grupos que transformaram o seu discurso numa luta contra todas as reivindicações do projeto feminista. EFE

mro/pst/jmj

(Foto) (Vídeo)



Link da fonte

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui