Mérida, 25 de julho (EFE).- A atriz Juana Acosta, que interpreta Duronia e Agave esta semana no ‘Bachanal’ de Mérida, aplaudiu que o Estatuto dos Artistas exige a adoção de um regulador sexual para cenas íntimas ou sexuais, porque a faz sentir-se “mais protegida, mais relaxada” e faz com que trabalhe “com mais liberdade”.
Esta atualização torna este valor obrigatório para garantir o consentimento e evitar situações de assédio.
Se houver menores envolvidos, serão tomadas ainda mais precauções para protegê-los de possíveis abusos ou violência.
Em obras como ‘Bacanal’, claras e confidenciais para maiores de 18 anos, o ator colombiano-espanhol explica que vai incentivar o público a “entrar em contacto com as nossas mentes, para alcançar a nossa verdadeira paixão”.
Destacou, por isso, a importância do coordenador de sexo, porque com ele a decisão que foi tomada antes será priorizada quando chegar ao local e “nada se pode fazer sem escrita e sem assinatura”, o que o ator descreveu como “fundamental”.
Este novo regulamento regula a inclusão de atividades de ensaio, pré-produção e promoção como dias úteis e, embora o estatuto proíba o trabalho de menores de 16 anos, o decreto de 1985 abriu as portas ao setor artístico.
Tornou-se ultrapassado, uma situação que tornou os menores “inseguros para serem fotografados”, observou Acosta.
Na sua opinião, é algo que “demora muito” controlar a participação dos jovens nas actividades artísticas com regras claras e únicas para toda a província.
“Eu me vi em muitos vídeos com muitos abusos, o abuso de ter menores trabalhando mais horas do que o necessário, expondo-os a extremos. Acho que esse é um dos motivos pelos quais não queria que minha filha trabalhasse como menor”, destacou Acosta.
Para Juana Acosta, reencontrar-se com o teatro, regressar a “algo relacionado com o corpo, com movimento” foi algo “muito especial” e fê-lo “com muito entusiasmo”.
No Teatro Romano de Mérida, no âmbito do 72º Festival Internacional de Teatro Clássico da capital da Extremadura, Acosta interpretou Duronia e Agave numa “adaptação muito livre do vazio de Eurípides”, uma do mundo dionisíaco e outra do mundo báquico.
Uma ideia “muito singular” que deu ao autor do artigo, Juan Carlos Rubio, porque combinou os dois deuses “que são muito parecidos”.
Para a atriz, sua personagem Agave representa “uma das mais graves tragédias gregas”, pois mata o filho ao confundi-lo com um leão “num delírio dionisíaco pela vingança de Dionísio”.
“Acho que ele é um dos personagens mais difíceis, complexos e interessantes com quem tive que lidar porque nunca lidei com um artigo como este”, confirmou.
Por isso, afirmou que, além da tragédia, a obra é “uma homenagem à mulher, ao desejo, ao movimento, à alegria, ao rumo da vida” e fez votos de que o público deixe a ‘Bacanal’ “bem em contacto com as suas ações e os seus verdadeiros desejos a todos os níveis”.
Por isso, Acosta fala da manifestação como um símbolo da “resistência do povo ao governo proibitivo” e garante que “perde-se o medo da rebelião”, razão pela qual o aconselha a “entrar em contacto com a sua própria liberdade”. EFE
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