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‘Sentimental Value’ e ‘Sirat’ brilham pela qualidade nos European Film Awards

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Elena Garuz

Berlim, 17 janeiro (EFE).- O filme ‘Sentmental Value’, do norueguês Joachim Trier, brilhou no sábado pela sua qualidade artística, ao vencer seis prémios – incluindo melhor filme – e ‘Sirat’, do espanhol Oliver Laxe, pela sua técnica – cinco prémios -, nos 38.º European Film Awards, durante uma gala onde o principal vencedor defendeu hoje a simpatia.

‘Sentimental Value’, uma história sobre a relação entre pais e filhos, levou para casa os prêmios de melhor filme, direção, ator (Stellan Skarsgård), atriz (Renate Reinsve), fotografia (Trier e Eskil Vogt) e trilha sonora (Hania Rani).

Ao receber o prémio de melhor realizador, Trier reconheceu o trabalho dos seus colegas que, com ele e muitos outros, “defendem esta liberdade de expressão, pela arte livre, num momento de verdadeira polarização, e também em muitos lugares da Europa”.

“Acho que estamos num momento importante onde todos precisamos lembrar que o outro não é nosso inimigo e que a arte pode nos ajudar a criar empatia no escuro. Com estranhos podemos rir e chorar no cinema.

Desde que ganhou o Grande Prêmio do Festival de Cinema de Cannes, o filme de Trier é um dos filmes mais populares do ano e um dos mais indicados ao Globo de Ouro com oito indicações, embora tenha ganhado o prêmio de melhor ator coadjuvante apenas para Skarsgård.

Por sua vez, ‘Sirat’, que chegou à noite como o filme mais indicado, com 9 indicações, não ganhou nenhum dos principais prêmios que lhe foram atribuídos – melhor filme, melhor direção, melhor ator (para Sergi López) e melhor roteiro (para Laxe e Santiago Fillol) -.

Mas confirmou a sua qualidade técnica ao conquistar todas as distinções que recebeu nesta área.

Das oito categorias técnicas dos European Film Awards, ‘Sirat’ venceu cinco: melhor realização, para Nadia Acimi, Luís Bértolo e María Rodrigo; melhor filme -Mauro Herce-; melhor edição -Cristóbal Fernández-; melhor design de produção -Laia Ateca-; e melhor sonoplastia -Laia Casanovas, Amanda Villavieja e Yasmina Praderas-.

Um duelo entre ‘Valor Sentimental’ e ‘Sirat’ que começou em Cannes – onde o filme Laxe ganhou o Prémio do Júri – e que pode repetir-se no Óscar,

Na próxima quinta-feira serão divulgadas as indicações da Academia de Hollywood e na categoria de melhor filme internacional, uma das mais disputadas, esses dois títulos deverão trabalhar juntos com o brasileiro “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que venceu os dois no “Globo de Ouro”.

E além dos prémios, a gala teve um tom político, com destaque para a intervenção do realizador iraniano Jafar Panahi, condenado a um ano de prisão por “propaganda contra o establishment” em dezembro.

O realizador de ‘Um Simples Acidente’, filme que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2025, alertou que “não só o Irão, mas o mundo inteiro corre o risco de uma violência que se espalha e se espalha por todo o lado” e que “ninguém está seguro, em qualquer parte do mundo”.

É por isso que acredita que o seu trabalho como cineastas é “mais importante do que nunca”.

“Se estamos decepcionados com o governo, pelo menos não devemos ficar calados”, concluiu, arrancando aplausos da plateia.

Por sua vez, a atriz, realizadora e escritora norueguesa Liv Ullmann manifestou a sua surpresa pelo comportamento da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, ao transferir o Prémio Nobel da Paz ao presidente norte-americano, Donald Trump, e lembrou que esta transferência é inválida.

“Portanto, uma pessoa na América pode ficar muito decepcionada. Eles perderão. Eles simplesmente conseguiram, perderão essa honra”, disse ele em seu discurso ao receber o prêmio de Honra pelo conjunto de sua obra.

Ullmann disse estar “orgulhoso de fazer parte do entretenimento cinematográfico, especialmente nos dias de hoje, quando o mundo é tão estranho, assustador e difícil de entender”.

“E o mais importante, acho que estamos realmente aprendendo que não existe ‘outro’ no mundo. Neste momento estamos todos aqui juntos”, disse ele. EFE

(Foto)



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