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Portugal elege novo presidente com ministro de extrema direita e ex-ministro socialista como favoritos

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Lisboa, 17 jan (EFE).- Portugal realiza no domingo eleições presidenciais para eleger um sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, com as sondagens a sugerirem uma segunda volta entre o candidato de extrema-direita André Ventura, que se candidatará no domingo, e o ex-ministro socialista António José Seguro.

Mais de 11 milhões de portugueses são chamados a votar amanhã, dos quais mais de 1,7 milhões vivem no estrangeiro, segundo o censo divulgado pelo Secretário-Geral do Ministério do Interior (SGMAI).

Ao exercerem o seu direito de voto, os eleitores encontrar-se-ão no boletim de voto com 14 candidatos, apesar da presença de onze confirmada pelo Tribunal Constitucional para participar, dos quais há apenas uma mulher, a antiga eurodeputada e coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins.

O TC decidiu, em decisão de 23 de dezembro, que os candidatos foram aceites após cumprirem todos os requisitos constitucionais e legais, como a apresentação de pelo menos 7.500 votos de seguidores antes do prazo.

No momento do anúncio, porém, os boletins de voto já tinham sido impressos pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), que decidiu mantê-los nos três nomes que não foram vistos até ao final, sem polémica no debate público por causa da confusão que pode surgir no dia da eleição.

O líder da extrema-direita André Ventura e o ex-secretário-geral do Partido Socialista António José Seguro lideram as sondagens, seguidos pelo eurodeputado João Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal (IL), que saiu vencedor.

O almirante da reserva Henrique Gouveia e Melo e o antigo ministro e comentador político conservador Luís Marques Mendes, que contam com o apoio do Partido Social Democrata (PSD, centro-direita), também estão entre os cinco possíveis candidatos segundo a sondagem.

Os duros resultados apresentados pelas sondagens preveem uma eventual segunda volta, já que nenhum dos candidatos receberá mais de metade dos votos, situação que só aconteceu uma vez numa democracia, em 1986, quando o socialista Mário Soares venceu uma segunda volta muito renhida contra o democrata-cristão Diogo Freitas do Amaral.

Outro ponto que equilibra as diversas sondagens é que, caso houvesse segundo turno, Ventura seria um dos dois concorrentes nesse segundo turno, mas não seria o vencedor.

Além dos cinco favoritos e de Martins, os restantes candidatos são o sindicalista André Pestana, o cofundador do partido ambientalista Livre Jorge Pinto, o líder comunista António Filipe, o pintor Humberto Correia e o músico Manuel João Vieira.

Os candidatos encerraram a campanha ontem, sexta-feira, a partir de 4 de janeiro, atraindo a atenção de muita gente para o voto útil e para os vários eventos onde se reuniram com os seus eleitores.

Por outro lado, na maratona de debates eleitorais que decorreu antes das eleições, o convidado invisível foi o antigo presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, e os seus feitos, na dissolução de três Parlamentos em cinco anos.

Candidatos como Marques Mendes e Ventura garantiram que, se forem eleitos, querem ser um presidente “intervencionista”, embora o primeiro tenha explicado que não falará publicamente por causa de Rebelo de Sousa, um presidente que gosta de falar sobre todo o tipo de assuntos, por vezes dentro dos limites dos seus direitos, enquanto Seguro prefere o papel de um presidente que não infringe a lei. EFE



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