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CEAR alerta que as novas regras de imigração dificultarão os pedidos de asilo em Espanha: menos 14% até 2025

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Mónica López e Mauricio Valiente, diretor da Comissão Espanhola de Assistência aos Refugiados (CEAR), manifestaram a sua preocupação com a crescente rejeição de pedidos de proteção internacional em Espanha, o que poderá levar ao regresso de pessoas expostas a graves ameaças aos seus países de origem. Segundo o relatório “Para além dos números 2025” publicado pelo CEAR e citado pela Europa Press, a implementação da nova lei de imigração a partir de 20 de maio teve um impacto direto na diminuição do número de pessoas que pedem asilo e no aumento das decisões de recusa.

O relatório do CEAR explica que no ano passado foram apresentados 144.396 pedidos de asilo, menos 14% do que no ano passado. Esta descida afasta-se da tendência ascendente observada nos últimos anos, que foi interrompida pela epidemia anterior. A organização afirma que esta queda se deve tanto à política de saída de fronteiras como à implementação das novas Regras de Imigração. Segundo a Europa Press, estas novas regras penalizam especialmente quem vê as suas candidaturas rejeitadas, porque o tempo passado em Espanha não é contabilizado até que cada processo esteja totalmente resolvido. Esta situação coloca milhares de pessoas em risco de se tornarem administrativamente ilegais, situação que o CEAR considera extremamente preocupante.

O relatório publicado pelo CEAR alerta que o impacto da regulação se reflete claramente na queda do número de pedidos de alguns países. No caso da Colômbia, a queda é de 64%; no Peru, 66%; e para o Senegal, 57%, valor compilado pela Europa Press com base na análise de relatórios. Ao mesmo tempo, registou-se um aumento nos pedidos da Venezuela, que foi de 29% a mais, e do Mali, que atingiu um aumento de 50%. A CEAR atribui este fenómeno a factores externos, como a nova política de imigração proposta pelo governo dos EUA e a intensificação do conflito armado no Mali.

A análise do CEAR aponta para o registo histórico do número de decisões de asilo processadas: 160.663 processos durante o ano, facto relacionado com a “automatização” do processo de resposta. A organização alerta que esta abordagem pode afetar a qualidade da avaliação de cada caso individual, porque “nem sempre é feito um exame específico e aprofundado de cada candidatura”.

Relativamente à percentagem de decisões positivas, o relatório indica que apenas 11% das candidaturas obtiveram resposta positiva, uma diminuição de mais de sete pontos face ao ano anterior. O CEAR sublinha que estes dados colocam Espanha abaixo da média europeia, por ser considerada a percentagem mais baixa de toda a União Europeia, conforme noticia a Europa Press.

Além disso, ainda há um grande número de pessoas à espera de uma decisão sobre os seus documentos. O documento diz que 218.731 pessoas aguardam “decisões importantes para as suas vidas”. A Europa Press destacou que os números, embora ligeiramente inferiores aos dos anos anteriores, mantêm a pressão sobre o sistema de segurança internacional e as autoridades responsáveis.

O CEAR destaca também um aumento significativo na proporção de decisões negativas, que aumentou quase 77% e representa 42,5% do total, o que equivale a 68.321 processos. Além disso, mais de 10% da análise total dos aplicativos armazenados. Segundo a Europa Press, o surgimento de candidatos palestinos, somalis e guineenses está entre as mudanças mais demográficas. O relatório descreve a presença crescente de cidadãos palestinianos na crise causada pelo conflito em Gaza, o que indica claramente o rompimento do acordo de cessar-fogo de Outubro e das acções militares de Israel.

Em termos de taxas de aprovação, o Mali encabeça a lista com quase 48% de decisões positivas e uma percentagem de aprovação superior a 99%. Eles são seguidos por Burkina Faso 97%, Somália 93%, Nicarágua 85% e Palestina 76%.

A diminuição das chegadas às Ilhas Canárias, que caiu 62%, foi atribuída pelo CEAR ao reforço dos acordos de demarcação de fronteiras com países como Mauritânia, Senegal e Marrocos. Apesar disso, recentemente foi descoberta uma nova rota, por onde navegavam navios vindos do sul do continente africano. O relatório destaca a presença crescente de pessoas da Guiné entre os requerentes de asilo, ligando este fenómeno à deterioração dos direitos humanos naquele país.

Por outro lado, segundo a Europa Press, as chegadas na rota das Baleares aumentaram 24,5%. O CEAR acredita que estes dados comprovam o fortalecimento de outras rotas, especialmente perigosas e de longo prazo, que podem levar dois anos a partir de países como a Somália.

Devido à entrada em vigor da Convenção sobre Migração e Asilo, em Junho, o CEAR alertou que a mudança nas rotas migratórias significa que as pessoas que fogem procurarão outras opções, muitas vezes mais longas e mais perigosas. A organização reitera a necessidade de estabelecer canais legais e seguros para aqueles que reivindicam proteção internacional receberem proteção de acordo com o direito internacional.

O relatório refere-se também ao processamento ilegal de migrantes anunciado pelo Governo de Espanha, que o CEAR aponta como uma possível forma de mitigar a situação ilegal em que permanecem milhares de pessoas, incluindo muitas que cumprem requisitos de protecção internacional.

Os números apresentados pelo CEAR e recolhidos pela Europa Press incluem uma análise detalhada das nacionalidades, incluindo Venezuela, Colômbia, Peru, Senegal, Mali e Burkina Faso. O documento alerta que a automatização da tomada de decisões levanta sérias dúvidas sobre a capacidade de análise de casos individuais, aspecto considerado fundamental para proteger os direitos dos requerentes de asilo.

A declaração de Mónica López e Mauricio Valiente, que acompanha a divulgação do relatório, insiste na possibilidade de os requerentes de asilo regressarem ao seu país de origem sem um exame aprofundado da sua própria situação, situação que acreditam poder pôr em perigo a segurança e a integridade das pessoas vulneráveis.



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