CIDADE DO PANAMÁ — O governo panamenho emitiu um decreto na segunda-feira, ordenando a ocupação de dois portos na entrada do Canal do Panamá, uma medida motivada pela última decisão do Supremo Tribunal que declarou inconstitucional a arbitragem laboral realizada pela empresa de Hong Kong CK Hutchison.
O decreto autoriza a Autoridade Marítima do Panamá a ocupar os portos por “motivos de interesse social urgente”. A ocupação inclui todos os bens móveis dentro e fora dos terminais de Balboa e Cristóbal, abrangendo principalmente guindastes, veículos, sistemas de informática e software.
O drama em torno dos dois portos panamianos faz parte de uma rivalidade mais ampla entre os EUA e a China, que colocou o país centro-americano no centro depois que o presidente Trump acusou a China no ano passado de “gerir o Canal do Panamá”.
A CK Hutchison estava planeada para vender os dois portos a um consórcio que incluía a empresa de investimentos americana BlackRock, mas isso levou à rápida intervenção do governo chinês, que impediu o negócio.
Em Janeiro, o Supremo Tribunal do Panamá anulou a lei que aprovava o acordo contratual da Panama Ports Company, ou PPC, uma subsidiária da CK Hutchison. O despacho também cancelou a prorrogação concedida em 2021, afastando a operação do porto sem base legal.
A PPC opera esses portos desde 1997, quando o governo lhe concedeu licença para administrar os portos localizados nas entradas do Pacífico e do Atlântico no Canal do Panamá.
O governo do Panamá anunciou há vários dias que garantirá a continuidade das operações do porto e a integridade das obras, e que a APM Terminals, subsidiária do grupo dinamarquês AP Moller-Maersk, assumirá temporariamente a gestão dos portos enquanto se aguarda um novo acordo.
Ao mesmo tempo, a CK Hutchison Holdings iniciou o processo de arbitragem contra o Panamá sob as regras da Câmara de Comércio Internacional. Não está claro qual será o impacto do processo judicial e quanto tempo poderá levar. Também ameaçou processar a APM Terminals, caso a concessão esteja operacional. O grupo dinamarquês respondeu que não era parte no processo.
Um porta-voz do PPC disse à mídia local na semana passada que a empresa está buscando um acordo com o governo panamenho para continuar as operações.















