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Senado pode pagar até 60% a mais por café e refrigerantes: segundo documentos oficiais

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A empresa Café 1810 faturou 15 milhões, conforme mostra o contrato e controle que mostra o preço do produto básico vendido ao Legislativo.

As despesas de Senado da República no fornecimento de cafés e bebidas foi alvo de escrutínio depois de ter sido anunciado que a empresa Café 1810, SA de CV faturou mais de 15,3 milhões de pesos através de um acordo que incluía uma margem de lucro de até 60 por cento registada em produtos de consumo diário.

De acordo com a análise de custos e documentos oficiais, a empresa – representada legalmente por Agustín Fernando Rebolledo Cubas – montou um modelo de abastecimento baseado na venda de café, refrigerantes, água engarrafada e outros insumos básicos ao setor público, com preços superiores aos do mercado comercial.

O sistema de faturação consta do contrato aberto ADQ/DGRMSG/010/02/2023, apoiado por Diretor Geral de Recursos Materiais e Serviços Gerais do Senado. Nesta ferramenta, o Café 1810 fixou um preço de referência que ultrapassa o valor comercial normal.

A fatura – emitida antes do imposto sobre valor agregado (IVA) – inclui itens caros de varejo. Por exemplo, o Senado cobrou 364,50 pesos por um pacote de 12 latas de refrigerante, 134,55 pesos por 500 mililitros de mel e até 584,22 pesos por castanhas de caju de marca comercial.

Estes valores reflectem um crescimento que, segundo registos, chega a atingir 60 por cento acima do valor de mercado. Os documentos analisados ​​mostram que os produtos foram obtidos em condições que os colocam como bens de luxo, mesmo que sejam bens de consumo em geral.

Acordo do Senado
O acordo com a Câmara da República anuncia a compra de café, refrigerantes e produtos básicos com preços até 60% acima do mercado, na obra relativa à empresa Café 1810

O Café 1810 não é um novo fornecedor governamental. Registros oficiais indicam que a empresa trabalha com órgãos federais desde a gestão de Enrique Peña Nieto. Em 31 de maio de 2016 foi assinado o decreto governamental número 016/2016 junto ao Ministério do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat).

Longe de encolher após as mudanças políticas, a empresa ampliou seu alcance na administração pública. Em 2024, recebeu contrato por ajuste direto para Instituto Nacional de Educação de Adultos (INEA)organizações afiliadas a Ministério da Educação Nacional (SEP).

Esta continuidade sugere o fortalecimento do sistema de abastecimento que tem conseguido manter-se em vigor através das diversas administrações federais, promovendo a sua presença em diferentes órgãos.

O crescimento da empresa também levantou questões sobre transparência. Em 16 de julho de 2024, o INEA emitiu o ofício UAF/SRMS/DA/550/2024 no qual solicitava ao Café 1810 a revelação da identidade dos “beneficiários finais”, ou seja, as pessoas singulares que efetivamente beneficiam da riqueza nacional transferida através da empresa.

Este tipo de medidas fazem parte do sistema de controlo para prevenir conflitos de interesses, práticas corruptas ou a utilização de sistemas corporativos para ocultar a verdadeira propriedade.

Até o momento, não há registro público de que a empresa tenha respondido a esse pedido. A falta de informação mantém na opacidade a estrutura patrimonial de uma empresa que recebeu milhões de pesos do fundo.

O caso Café 1810 vem juntar-se a questões recorrentes sobre o processo de contratação pública no sector público, particularmente no que diz respeito a contratos abertos e adjudicações directas.

Os especialistas em transparência salientaram que este tipo de esquema pode levar a gastos excessivos sem controlos eficazes dos preços de mercado. Nesse contexto, o acordo no Senado mostra que é necessário fortalecer o sistema de monitoramento, avaliação e responsabilização pela utilização dos recursos públicos.

Ao mesmo tempo, os documentos oficiais continuam a mostrar regularmente: produtos básicos comprados a preços elevados, contratos válidos com diferentes agências e uma empresa que, apesar da expansão das instituições governamentais, ainda não está claro quem é o verdadeiro beneficiário do seu trabalho.



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