A Colômbia está ficando sem gás. Os campos que abastecem o país há décadas – tanto na costa das Caraíbas como no interior – produzem cada vez menos, enquanto o consumo continua a crescer.
Esta lacuna, que aumenta a cada ano, obriga-nos a importar mais gás do exterior e a reconsiderar a forma como funciona o sistema energético do país. Esse é o alerta da Fitch Ratings em estudo publicado em 25 de março de 2026.
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A rede de gasodutos colombiana foi construída para transportar gás da costa para as cidades do interior. Hoje essa lógica se inverte: como o único porto que recebe gás do exterior é o litoral, o sistema teve que ser adaptado para permitir que o fluxo seguisse no sentido oposto.
Com isso, a estação Ballena, importante ponto da rede, foi modificada, permitindo que o gás chegasse a Bogotá, Medellín e outras cidades pelo mar. Sem esta modernização da infra-estrutura, o gás importado não chegará onde é necessário.
O plano de abastecimento de petróleo do Governo 2023-2038, elaborado pela UPME, propõe três formas de resolver o problema: encontrar novas reservas, aproveitar bem as existentes e construir novas rotas de transporte.
A Fitch acredita que a opção mais prática e rápida é adaptar a infraestrutura existente, em vez de construir novos gasodutos do zero, o que reduz custos e tempo de execução. Aproveitar o que já foi feito é mais eficaz do que começar do zero, segundo a agência de classificação.
Existem vários projetos em desenvolvimento que poderão aumentar significativamente as importações de gás. Juntos, eles adicionaram 718 MPCDs ao sistema, elevando o total para 1.175 MPCDs – mais do que os 1.100 MPCDs projetados.
Estes incluem a conversão de ODC da Ecopetrol e Promigas (400 MMCFD, com um investimento de 1.000 milhões de dólares americanos), a expansão SPEC da Promigas (475 MMCFD), o projeto FSU Guajira da TGI (300 MMCFD, 135 milhões de dólares americanos), a Regasificadora del Pacífico (60 MMCFD2 milhões)Amazónica LNG (150 MMCFD, US$ 150 milhões) e Regaseificação de Copacabana da EPM (15 MMCFD, US$ 80 milhões).
Quanto custa importar gás para a Colômbia?
Confira o que está acontecendo com os preços do gás importado e como eles estão afetando o país.
US$ 8
Preço real: US$ 12,5
Aviso: US$ 20
US$ 25
Preço por milhão de BTUs
US$ 12,5
O nível atual do mercado
Mudança vs. preço atual
–
Não há variação
O que isso significa para a Colômbia?
Uma situação administrável
Este é o custo atual da Colômbia para comprar gás importado que chega de navio à costa caribenha. O sistema pode funcionar sem um grande choqueporque a lei permite que essa taxa seja transferida para a taxa do empregador.
20% deste abastecimento é classificado como prioritário para as famílias, o que lhes confere protecção jurídica contra cortes.Uma das consequências da mudança de modelo é que os contratos de fornecimento estão a tornar-se mais curtos. Anteriormente, as empresas assinavam contratos de longo prazo que lhes davam estabilidade.
Agora, com os preços internacionais a flutuar e a oferta menos certa, o novo acordo é mais sustentável. Isto dificulta o planeamento financeiro para os empresários, embora a Fitch estime que a procura de longo prazo do país compense parcialmente esta incerteza.Um contrato curto significa menos segurança para a empresa, mas também mais flexibilidade num mercado em mudança.
O preço do gás importado também preocupa. Atualmente, o preço do gás no mercado internacional gira em torno de US$ 12,5 por milhão de BTU. No entanto, o encerramento do Estreito de Ormuz – uma rota fundamental para o comércio global de gás – devido ao conflito com o Irão poderá elevar esse preço acima dos 20 dólares. Simplificando, se o gás no exterior ficar mais caro, a conta na Colômbia também poderá subir.

Se os preços internacionais permanecerem elevados durante muito tempo, a Fitch sugere que o país poderá ser forçado a abandonar o carvão como fonte de electricidade. São necessárias obras de infra-estruturas, quer haja ou não uma crise internacional: o gás interno está a acabar.
Finalmente, existe a opção venezuelana. A recente presença dos EUA na Venezuela aumentou as esperanças nas exportações de gás por gasoduto para a Colômbia.
Mas não é fácil de fazer: a Venezuela tem de restaurar o gasoduto de cerca de 140 quilómetros desde o campo de Perla até à fronteira, e a Colômbia tem de construir outros 88 quilómetros para se ligar à rede nacional. Só a construção levará pelo menos dois anos, sem contar os acordos políticos, comerciais e jurídicos que deverão ser fechados primeiro.















