Sofia Buetas Faro
Saragoça, 18 de abril (EFE).- Rafa Sandoval (Granada, 1975), quadrinista da Marvel e DC, se apresenta ao mundo como um “criador de imagens” para não chamar a atenção, chega timidamente à convenção como uma ‘celebridade’ e, enquanto seus fãs o olham com alegria, ele cria seu quarto favorito: o personagem Superman.
O granadino, que assina este sábado exemplares da sua obra em Saragoça, não se sente “a estrela” à qual estão ligados os seus seguidores e não “conhece realmente” o alcance da sua obra. “Não sabia que iria tão longe, agora com a Internet o mundo inteiro está no seu quarto”, garantiu em entrevista à EFE.
Quando criança, embora desenhar fosse um simples hobby, ele nunca pensou que ganharia bem com o design ou seu impacto. O granadino disse: “Quando eu era jovem, ia ver quadrinhos na banca de jornal.
Há 19 anos recebi duas ligações, uma da Marvel Comics e outra da DC Comics. Depois que sua filha nasceu, ela teve a oportunidade de trabalhar no que queria, “na emoção” de sua vida.
O artista hesitou e até pensou em desistir por causa da pressão que sofria. “Saí para a varanda, respirei fundo e disse: quantas vezes vou ter essa oportunidade?” ele se perguntou.
Esta decisão fez com que, em menos de um mês, tivesse que desenhar 46 páginas, mas “normalmente ao fim de seis semanas são 22”.
O seu trabalho através da Marvel e DC trouxe-o ao mercado franco-belga com a sua obra ‘Os Filhos de Prometeu’ e em 2024 surgiu a possibilidade de criar um novo Superman: ‘Superman Absoluto’.
Embora já tivesse trabalhado no clássico Superman, ele teve “sorte” de criar um personagem “selvagem” e “realmente durão”, que também tinha um figurino importante. “É o seu único legado, um fato que tem, não diremos privacidade, mas tal como a inteligência artificial, é o seu único amigo”, disse Sandoval.
O artista não procurou apenas captar no papel o corpo do ator, mas também o transcendental, as emoções e a atmosfera que o rodeia. O novo Superman é “completamente diferente e as pessoas gostam muito, é uma ideia nova e o personagem realmente atraiu as pessoas”, disse o artista.
Essa ligação com o público impulsiona o orgulho que ele sente em criar e transferir esta versão do Superman para os quadrinhos. Esse sentimento é o que ele quer que fique: “Deixando um grão de areia na história sem fim desse personagem”, disse ele.
Para se tornar o criador do novo Superman, Sandoval trabalhou em animação, publicidade e desenho de mangás para revistas curtas. Porém, conforme ele explica, a forma como ele se sente mais confortável é a americana.
“Minha primeira história em quadrinhos favorita foi uma história em quadrinhos de super-heróis, então não havia como voltar atrás, foi amor à primeira vista”, diz o granadino.
A nostalgia das origens leva o artista a aliar a tecnologia do lápis e da tinta. “Com o digital é mais confortável, você não fica sem tinta, pode apagar, voltar, avançar, virar”, mas “quando você faz isso fica um pouco mais perto”, disse Sandoval.
Mesmo que você tenha conseguido o emprego dos seus sonhos, o ritmo acelerado da indústria traz consigo momentos de exaustão. “Quando você está cansado, você pega os recursos mais básicos e sai do buraco”, explica o cartunista.
No entanto, garante que quando está “mais ativo” recupera a iniciativa de experimentar diferentes perspetivas e narrativas, e “de mudar as coisas”. EFE















