Punta Cana (República Dominicana), 30 de abril (EFE).- A União Europeia (UE) e a Comunidade Latino-Americana e do Caribe (Celac) confirmaram nesta quinta-feira sua disposição de fortalecer a cooperação contra o aumento do tráfico de drogas em todo o mundo que, segundo o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, “requer uma resposta global”.
Estes crimes “evoluíram nos últimos anos (…) com redes sofisticadas que utilizam novas tecnologias”, razão pela qual “é necessária uma resposta global, baseada no conceito de responsabilidade conjunta e colectiva”, disse Grande-Marlaska.
O alto funcionário espanhol fez este anúncio durante a XXVI Reunião de Alto Nível do Mecanismo UE-Celac, realizada em Punta Cana, leste da República Dominicana, principal plataforma política de planeamento das duas regiões, que se destina a definir prioridades estratégicas e respostas comuns aos desafios colocados pelo tráfico de droga e pelo crime organizado.
Por outro lado, a chefe da Procuradoria Nacional Antinarcóticos da Espanha, Rosa Ana Morán Martínez, disse à EFE que “estamos diante de um fenômeno global. Precisamos discuti-lo, saber o que está acontecendo, especialmente no tráfico de drogas, e estabelecer uma estratégia comum que nos permita trabalhar melhor juntos”.
Morán Martínez anunciou que será organizada em novembro uma reunião com promotores antinarcóticos da Europa, América Latina e Caribe com o objetivo de resolver problemas como a investigação financeira do tráfico de drogas.
Ao mesmo tempo, o Ministro do Interior e da Polícia Dominicana, Faride Raful, destacou que esta discussão confirma que a resposta às drogas requer uma parceria real, estratégica e de longo prazo entre os setores público e privado.
Neste contexto, Raful destacou “a importância de enfrentar o desafio do crime organizado, promovendo uma abordagem abrangente que combine prevenção, controlo e cooperação internacional”.
Da mesma forma, altos funcionários dominicanos enfatizaram a importância da “responsabilidade” entre agências públicas e privadas para limitar as atividades da economia ilegal.
Temas-chave como o fortalecimento dos sistemas de informação e alerta precoce, a prevenção baseada em evidências e o combate ao crime organizado foram discutidos durante a reunião, com o objetivo de fortalecer políticas públicas mais eficazes, humanas e sustentáveis.
Por outro lado, o secretário-geral do Departamento Nacional de Narcóticos do Uruguai, Gabriel Rossi, apoiou o “estabelecimento de políticas públicas” de combate ao narcotráfico, além da chamada guerra às drogas.
“Se encararmos isto apenas como uma questão de guerra, então a situação passa a ser de dois lados armados”, disse Rossi, que tal como Morán Martínez, questionou o sucesso do ataque dos EUA a navios nas Caraíbas que alegadamente transportavam drogas, segundo a EFE.
A XXVI Cimeira do Mecanismo UE-Celac reuniu responsáveis de ambos os grupos com o objetivo de promover uma resposta coordenada baseada em evidências, que se centra na saúde pública, nos direitos humanos e na segurança dos cidadãos.
O encontro permitiu a troca de experiências, bem como a reflexão sobre o fortalecimento do Mecanismo, “para torná-lo mais eficaz, ativo e orientado para resultados”, afirmou o ministro dominicano Raful. EFE
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