La Paz, 10 de maio (EFE).- O julgamento do ex-presidente Evo Morales, acusado pelo Ministério Público de tráfico de menores, devido ao seu relacionamento com uma menor que supostamente tinha uma filha com o presidente, começará segunda-feira no sul da Bolívia, embora o advogado do político tenha anunciado que não estará presente.
O julgamento será realizado na cidade de Tarija, no sul do país, onde está ajuizada a ação contra Morales (2006-2019), e a sessão será às 8h20 (12h20 GMT), conforme confirmou o presidente do Departamento de Justiça de Tarija, Luis Esteban Ortiz.
“Tivemos conversas entre nós, não só com o ex-presidente, mas com a segunda pessoa que foi investigada neste assunto e depois de cumpridas as formalidades exigidas, foi emitida a ordem correspondente à abertura do tribunal, que marca a sessão de julgamento para segunda-feira”, disse Ortiz à mídia.
O juiz confirmou que a ação foi “iniciada contra Evo Morales e outra pessoa, uma mulher, por tráfico de pessoas” e disse que a notificação correspondente foi feita “por decreto”.
O advogado de defesa do ex-líder disse que não comparecerá à audiência porque não foi notificado conforme o procedimento.
“Vocês não podem comparecer porque não sabemos. O irmão Evo Morales não foi notificado, seguiu seu próprio procedimento de divulgação”, disse o advogado Wilfredo Chávez, um dos defensores dos políticos.
Segundo Chávez, o início do julgamento responde à “perseguição política que surge num momento de condições deploráveis no país, especialmente no sector económico, e ao conflito nas ruas”, razão pela qual considerou que “querem desviar a sua atenção” dos protestos sindicais que ocorreram nas últimas semanas.
Morales permanece no Trópico de Cochabamba, santuário político e sindical no centro da cidade, desde outubro de 2024, devido a um julgamento por tráfico de pessoas, no qual o Ministério Público o acusou de ter contacto com uma menor que alegadamente teve uma filha em 2016, quando era presidente.
Naquela época, a Polícia não pôde executar um mandado de prisão porque os seguidores de Morales bloquearam as ruas durante 24 dias entre outubro e novembro de 2024 para impedir a entrada de empresários no Trópico de Cochabamba.
Desde então, o sector relacionado com este ex-líder está ali fixado e em permanente vigilância para impedir a sua detenção através de um mandado de detenção que o Procurador-Geral da República confirmou ainda válido.
Em outubro passado, o Ministério do Interior apresentou as acusações oficiais contra o ex-presidente e há poucos dias o Ministério Público de Tarija disse que havia mais de 170 provas contra ele para o julgamento oral.
No início de 2025, o julgamento de Morales foi anunciado à revelia, depois de o político ter faltado duas vezes, por doença, às audiências destinadas a resolver as acusações contra ele.
Nos últimos dias, Morales não falou diretamente sobre este caso, mas quando se soube que o julgamento estava prestes a começar, confirmou em sua rede que “como não vemos nada” para processá-lo por outras acusações, trata-se de “uma invenção criminosa”.
“Não procuro impunidade. Quero que os meus acusadores mostrem – com provas legais e reais – os crimes que alegadamente cometi. Peço justiça imparcial, justa, objectiva e independente por parte das autoridades políticas”, escreveu quarta-feira na X. EFE.















