Nicole Andrea Vargas
Bogotá, 19 de maio (EFE).- A participação dos jovens colombianos na política aumentou após a explosão social de 2021, embora 18% deles tenham deixado de expressar suas opiniões publicamente por medo de “se tornarem vítimas de conflitos armados”, segundo o Observatório Juvenil Javeriano da Pontifícia Universidade Javeriana de Bogotá.
“Um em cada cinco jovens deixa de expressar a sua opinião por medo do conflito e isso é incomum”, disse à EFE o cientista político Mateo Ortiz, professor e pesquisador do Observatório, sobre as eleições presidenciais de 31 de maio.
O conflito armado afecta directamente os jovens, “não porque se baseie na exploração do capital social, cultural, emocional e físico”, mas porque o recrutamento é necessário para apoiar o conflito.
“Um jornalista foi morto por realizar sua ação participativa, que também é política porque o jornalismo tem esta tarefa básica de construir o debate público”, disse Ortiz referindo-se a Mateo Pérez, um jornalista de 25 anos morto por guerrilheiros este mês enquanto fazia uma reportagem no departamento de Antioquia (noroeste).
A doze dias das eleições presidenciais, a participação desta faixa etária é “pouco clara”, sobretudo na situação em que a posição do mandatário é “incerta”.
No entanto, “depois da explosão social, registou-se durante muito tempo a votação mais elevada para uma eleição presidencial”, disse Ortiz, recordando as eleições de 2022 em que foi eleito o atual presidente colombiano, Gustavo Petro.
A pesquisa “Vozes Resilientes”, publicada pelo Observatório Juvenil Javeriano em 2025, mostrou que 76% dos jovens pensam que o seu papel na paz deve ser ativo, enquanto 44% acreditam que “a situação do país não é adequada para o desenvolvimento dos seus projetos de vida”.
Para Ortiz, estes dados mostram que os jovens estão comprometidos com a democracia, mas não veem garantias do Estado no exercício dos seus direitos.
Além disso, a Colômbia tem uma visão “urbanocêntrica”, segundo Ortiz, onde os programas e orçamentos se baseiam na “lógica urbana”, que exclui as comunidades rurais e, portanto, os jovens que ali vivem.
“No meio rural existe uma situação onde vivem os trabalhadores, que os obriga a migrar e a chegar a uma situação difícil para a cidade onde o mais importante é viver e por isso perdem a vontade de participar”, destacou Ortiz.
Antes das próximas eleições, este cientista político garantiu que os candidatos devem criar um programa abrangente para os jovens que responda às aspirações deste sector, evitar cortes orçamentais e procurar “bandeiras vermelhas” para os abordar.
“Acredito que os grandes políticos ainda não sabem como abordar a juventude, mas estão a melhorar muito”, disse.
Os partidos políticos tomaram como estratégia conseguir votos incluindo pessoas reconhecidas nas suas listas, como atletas ou artistas, ou pedindo aos seus candidatos que aderissem à tendência das redes sociais, algo que “não funcionou”.
Por esta razão, a política saltou para o palco digital através de activistas que “conseguem traduzir em pedra as visualizações dos seus vídeos”.
Por outro lado, o cenário das eleições colombianas, marcado pelo uso da inteligência artificial (IA) nas campanhas políticas, promoveu um discurso mais radical.
“As redes sociais e o Estado provocam hoje polarização e radicalização, porque no final das contas isso vende. Mas, por outro lado, são também um ponto de encontro e é aqui que muitas comunidades jovens também conseguiram mudança e influência”, afirmou a investigadora. EFE















