Ariel se olha no espelho e a imagem traz mais perguntas do que respostas. em série O resto é bom, Benjamim Vicunha Retrata esse pai que faz malabarismos com trabalhos escolares, conversas de adolescentes, reuniões de trabalho e planos românticos com a mesma habilidade de quem tenta manter no ar sete bolas, dois pratos e um pouco de suco.
O habitual o assombra: o passado, os amigos, o trabalho, os filhos, o tempo. Juntos, o universo. Às vezes Ariel admite: ela quer continuar humana para se tornar uma simples larva, mesmo que por um tempo.
Nesta série, a comédia funciona como a vida e promete reviravoltas inesperadas mas, mesmo que o relógio não pare, a programação diária pode ser prejudicada. Ou pelo menos tente. A série e sua abordagem à vida adulta e à paternidade é um trabalho de liderança. Daniel Burman sim Daniel Hendler.
— Conseguimos ver partes de alguns capítulos e seu estilo é muito chato…
— Uma série que acredito que quer ter profunda compaixão, criar esse nível de escala, porque isso é a vida, nem mais nem menos que o peso da vida, da responsabilidade, dos filhos, da idade. E tem essa metáfora da hérnia inguinal, que tem a ver com o fato de você não aguentar mais um grama para sobreviver.

-Você se inspirou na sua própria vida para interpretar o personagem?
—Sim, sim, meu mundo, minha biografia, minha vida, a vida do Daniel (Burman), quem o conhece sabe que é muita coisa, e esse vínculo com os filhos, com a esposa, com o ex-marido, e assim por diante…
-A série é sobre homens e mulheres?
—Na verdade, o desafio geracional, de muitas pessoas, não só de homens, porque embora tenhamos visto grandes referências, grandes personagens, como a personagem de Vicky em cheio de invejaque não só se opôs às mulheres, um mandato social, que também significa aceitar e considerar coisas como a inveja, que é também uma força motriz da humanidade. Esta série, de outro lugar, também reconhece que nos homens existe o medo da idade, o medo de perder a identidade, de saber onde estão. Ele também tem medo de perder a esposa, que é mais nova, mas quase um fantasma em sua casa, pois todos o tratam mal. O garotinho que não liga para ela, o machista, a trata mal. Ou eles não se importam, isso é o pior.

-Você já fez alguma pesquisa sobre andropausa?
—Trabalhei com Daniel Burman nesse assunto difícil, que é realidade, realidade. O que um homem tem a ver com cinquenta anos.
— Por que você acha que quase não se fala em andropausa entre os homens?
—Conversei com minha amiga, mas por outro lado, a menopausa é comum. As pessoas falam, vivem, até fazem parte de uma tradição ou de uma brincadeira que pode ser feita ou não, ou da mulher que sofreu em certa idade. Os homens não têm isso? Sim, eles têm.

—Como essas mudanças afetam a vida diária das pessoas?
– O personagem é muito atencioso e desesperado. Ele está tentando se recuperar e tomando vários medicamentos. Ele vai ao médico. Eles tomam de tudo, desde juba de leão, testosterona, todas as drogas naturais e realmente não tentam se levantar nem um pouco e recuperar a vontade de viver e continuar a criar os filhos, porque… jogue a toalha.
– Qual o processo criativo e colaborativo para humanizar o roteiro?
— Vemos também a humanidade, o tom, com a ajuda de Burman e Daniel Hendler, que dirigiram alguns capítulos da série.
– A experiência do jogador?
—Rita Cortese, minha mãe, que é maravilhosa, dá todas as qualidades da humanidade. Jorge, meu pai, Violeta Uki Perea, Daniel Hendler, o personagem do amigo, e todos os filhos, que são maravilhosos. Lá foi feito um grande trabalho de casting para conseguir esse realismo, essa verdade e essa dinâmica, que trabalhamos muito. Há também muitas cenas sequenciais… o que o torna ainda mais rico.















