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Todo verão fica mais quente. Por que continuamos comendo o mesmo?

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Jessica González Castro, Diretora Executiva da Geração Vegana

“Está tão quente!”

Certamente uma das frases mais repetidas das últimas semanas. Ligamos o ar, procuramos sombra, compramos ventiladores. Aprendemos a nos adaptar a temperaturas que, há alguns anos, pareciam extraordinárias. O calor não é a única preocupação. A principal preocupação é a rapidez com que você se acostuma.

Todo verão, novos recordes são quebrados. As ondas de calor são mais intensas, as secas são mais prolongadas e os incêndios florestais são mais frequentes. Porém, quando falamos em alterações climáticas, normalmente pensamos em carros elétricos, painéis solares ou reciclagem. Quase nunca falamos sobre algo que fazemos todos os dias, três vezes ao dia: comer.

Lembro-me da nossa conversa em 2019 com o Dr. Joseph Poore, pesquisador da Universidade de Oxford e autor de um dos mais importantes estudos sobre alimentação e meio ambiente, publicado na revista. Ciência. Depois de analisar quase 40.000 explorações agrícolas em 119 países, a sua investigação chegou a uma conclusão sólida: seguir uma dieta baseada em vegetais é uma das ações mais eficazes para reduzir o impacto ambiental. Os alimentos de origem animal são responsáveis ​​pela maior parte das emissões de gases com efeito de estufa associadas à produção de alimentos, além de exigirem mais terra e água do que os alimentos de origem vegetal.

Salmão cozido, frango fatiado, pimentão assado, brócolis, quinoa, batata doce, salada de espinafre, limão, salsa, prato, talheres, copo de água na mesa de madeira.
A mesa de madeira oferece uma variedade de alimentos ricos em proteínas, carboidratos e vegetais complexos, proporcionando uma refeição equilibrada e nutritiva. (Foto da Infobae)

Já passaram seis anos desde essa conversa, mas continuamos a falar sobre as alterações climáticas como se fossem uma questão secundária em relação ao que colocamos nos nossos pratos. A figura ajuda a entender por que isso não deveria acontecer. A produção de um quilograma de carne bovina requer, em geral, cerca de 15 mil litros de águade acordo com a Rede de Pegada Hídrica. Além disso, causa infertilidade 60 quilogramas de equivalente de dióxido de carbonose for produzido um quilograma de leguminosas, produz-se cerca de um quilograma. Nem todos os alimentos têm o mesmo impacto no planeta.

Ao procurar formas de lidar com o calor neste verão, é preciso lembrar que a produção de alimentos também faz parte da discussão climática. O que escolhemos comer afeta as emissões, o uso da água, o desmatamento e a biodiversidade. E, ao mesmo tempo, é uma das poucas decisões ambientais que estão nas nossas mãos todos os dias.

Imagem de uma tabela de partição. À esquerda, um prato de comida saudável: salmão, salada, legumes, nozes. À direita, fast food: hambúrgueres, batatas fritas, doces e refrigerantes.
Esta imagem editorial compara duas formas de comer em uma mesa compartilhada: a da esquerda oferece opções frescas e nutritivas, enquanto a da direita mostra fast food altamente processado. (Foto da Infobae)

Talvez o verdadeiro desafio não seja sobreviver ao verão intenso. Talvez o desafio seja parar de agir como se a onda de calor fosse o novo normal e não pudéssemos fazer nada a respeito. Porque as alterações climáticas já não são um aviso para as gerações futuras. O calor que sentimos hoje quando saímos de casa. E cada decisão, mesmo aquela que tomamos enquanto tomamos um prato de comida, pode nos aproximar do problema ou da solução.

  • Jessica Gonzalez Castro – Diretora Executiva da Generación Vegana



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