Lima, 14 de junho (EFE).- Os peruanos ainda aguardam o fim do lento processo observado no segundo turno da presidência e estão acostumados com a ideia de que sua nova presidente poderá ser a direitista Keiko Fujimori, que tem uma vantagem de 18.488 votos sobre o esquerdista Roberto Sánchez.
A uma semana das eleições e com 98,59% dos votos apurados, Fujimori (Fuerza Popular) obteve 50,051% dos votos com forte apoio em Lima, no norte do país e votos estrangeiros, enquanto 49,949% para Sánchez (Niara para o Peru) que venceu no sul e centro do Peru.
O Gabinete Nacional do Processo Eleitoral (ONPE) concluiu a contagem dos documentos eleitorais na noite de sexta-feira e os 1300 documentos marcados e contestados continuam pendentes para os júris eleitorais especiais (JEE), um processo que deverá demorar vários dias.
Enquanto os cidadãos esperam que estas atas sejam resolvidas e que o nono presidente da nação andina seja anunciado em mais de uma década, abundam os rumores de marchas massivas em Lima e no sul do Peru contra a eventual vitória de Fujimori.
Durante a noite de sábado houve um evento pacífico em Lima onde centenas de apoiadores de Sánchez perguntaram ao Júri Nacional Eleitoral (JNE) sobre a total transparência do processo eleitoral e o respeito pela vontade do povo.
A este respeito, o presidente interino, José María Balcázar, anunciou domingo que adiará por dois dias a sua viagem oficial à Europa, onde se encontrará com o Papa Leão XIV, para ficar em Lima para “coordenar ações de apoio à paz social e à estabilidade do país”.
Também neste domingo, Sánchez foi a Cusco, onde obteve mais de 78% dos votos, e repetiu o seu pedido às autoridades eleitorais para que recontassem os votos.
O esquerdista confirmou que o seu partido encontrou indícios de irregularidades na assembleia de voto de Lima, região norte onde Fujimori venceu o voto estrangeiro, e sugeriu que o seu adversário pedisse uma recontagem, algo que a direita rejeitou.
“Nos fortalecemos exigindo transparência, respeito pela democracia e pela escolha do povo”, disse, junto com as comunidades da elite andina, que “ninguém deve se opor a este censo, para que todo o povo saiba, mesmo com um voto, que vencerá as eleições”.
Além disso, afirmou ainda que “o JNE, o ONPE e todas as forças democráticas devem esclarecer todas as preocupações e indícios de descumprimento, para que não haja polêmica”.
Ele também confirmou que o seu partido estará “vigilante e ativo” e instou os seus apoiantes a defenderem o voto através de atividades pacíficas e dentro do sistema democrático.
Fujimori, por sua vez, reiterou neste fim de semana a rejeição do pedido de Sánchez e instou-o a “ler melhor” a lei eleitoral, anunciando na noite de sábado que deixaria o Peru por alguns dias para se juntar à filha de 18 anos numa viagem em família.
Por último, insistiu que deveríamos esperar com calma pelos resultados oficiais das eleições e estar abertos ao diálogo com todas as forças políticas, especialmente com Sánchez, mas apenas depois de concluído o processo eleitoral. EFE















