Falando em Alberto Camusé fundamental falar sobre sua ideia de “insensatez”: a ruptura inevitável que vemos em nossas próprias vidas cheias de questionamentos: por que vivemos? para que? o que isso significa? Filósofos e escritores franceses pensavam que estas eram questões sem resposta. Contudo, sem se tornar pessimista ou niilista, Camus convidou a rebelião contra este vazio existencial.
Por isso, além da loucura, o pensador nascido na Argélia pensou em outros temas: a justiça social, a liberdade individual, os perigos do dogmatismo na política. Ele até filosofou futebolum esporte que ele credita por ensiná-lo “que a bola nunca chegará até você onde você espera”.
Com esta coragem rebelde diante da loucura, Camus nos deixou uma de suas reflexões mais famosas: “Você nunca será feliz se continuar buscando o que FELIZ; Você nunca viverá se estiver procurando o sentido da vida.” Com estas palavras, Camus nos conecta diretamente ao seu pensamento: se ficarmos obcecados com a existência da teoria, nos separamos da experiência real da vida no presente.

Para Camus, a justificativa da felicidade é a sua destruição imediata. Em seu artigo O mito de Sísifoo autor alertou sobre os perigos de atrasar o presente perseguindo quimeras futuras. Temos que aceitar a vida como ela é, diz ele, e aceitar o momento presente sem condições ou mapas porque se tivermos que ter uma pré-validação da vida estaremos perdidos. Permanecer vivo, ao contrário, é procurar justificativas. É por isso que este artigo começa com a ideia de que “a ação mais importante que tomamos todos os dias é tomar a decisão de não nos matar”.
Nesta século 21Apesar de tudo, ignoramos estas reflexões. Não apenas tentamos definir a felicidade, mas também a prendemos a coisas e objetivos que nos fazem esquecer de viver. Ao contrário dos manuais ou palestras sobre o sucesso, Camus nos dirá que a verdadeira felicidade não é um algoritmo a ser resolvido, mas o resultado direto de uma vida poderosa, levando em conta nossas próprias ideias e suas contradições.
“Eles falam de felicidade. Mas não é a felicidade que importa para mim, é a verdade”, observou no famoso filme. caderno (ó caderno). O seu pensamento, décadas depois, continua a convidar-nos a uma liberdade completa e clara, sem prescrições, mas também sem resignação: o sentido da nossa vida é a nossa criação ativa. É nosso privilégio e responsabilidade.

Este tipo de posições explica muitas das posições de Camus dentro do existencialismo, embora ele tivesse reservas a respeito. Na verdade, o filósofo francês via-se como um adversário ideológico Jean-Paul Sartreapesar de este pensador também defender que a existência precede a natureza, ou seja, “o homem nada mais é do que aquilo que faz consigo mesmo”.
Apesar do processo filosófico intimamente relacionado com o século XX, a verdade é que a existência vem de pensadores antigos. Por exemplo, leve-nos à opinião de um famoso monge budista Linji Yixuanque lembrou aos seus discípulos a pureza do presente, longe dos objetivos espirituais abstratos, através das mais famosas palavras: “Se você procurar a verdade, não a encontrará;
Concluindo, a mensagem que Albert Camus nos legou é um bálsamo de realidade para um tempo rápido e ansioso. Felicidade e significado não são objetivos abstratos esperando no fim dos tempos um labirinto mental. Afinal, uma vida plena consiste em aceitar os mistérios do mundo, abrir mão de questões intrigantes e ousar viver o presente com os olhos abertos e com vontade de assinar o próprio destino.















