La Paz, 8 janeiro (EFE).- Rodrigo Paz comemora nesta quinta-feira dois meses de mandato na Bolívia em uma disputa que exigia o decreto para retirar os subsídios ao petróleo do país e foi rejeitado pelos sindicatos de trabalhadores e agricultores aliados ao governo do Movimento ao Socialismo (MAS).
Depois de tomar posse em 8 de novembro, a primeira medida decisiva de Paz foi a Ordem Executiva 5503, que, entre outras medidas, retirou o subsídio ao petróleo que vigorava há mais de 20 anos, o que, segundo os novos responsáveis, era injustificado porque exigia custos elevados e causava corrupção.
O decreto de 17 de dezembro fixou o preço de 6,96 bolivianos (um dólar) para o litro da gasolina especial, 11 bolivianos (1,58 dólares) para a gasolina premium e 9,80 bolivianos (1,40 dólares) para o diesel, entre outros, o que representa um aumento de 86% e 162% no preço do combustível.
As normas são contestadas por sindicatos e setores aliados políticos dos governos de esquerda dos ex-presidentes Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), como a Central Obrera Boliviana (COB), a federação de mineiros, professores, fabricantes e agricultores.
Estes grupos protestam nas ruas de La Paz desde o passado dia 22 de dezembro e no final da semana marcharam desde as terras altas até aquela cidade, onde estão localizados o Governo e a Assembleia Nacional, para exigir que o Governo cancelasse o Decreto 5503.
A COB também ordenou o bloqueio de estradas a partir de terça-feira, medida que afeta principalmente o departamento de La Paz e é seguida por agricultores e professores do campo.
Também há estradas interrompidas nas regiões de Oruro, Potosí, Beni e Santa Cruz, segundo o relatório de trânsito da Administradora Rodoviária Boliviana (ABC).
Neste dia, agricultores e cocaleiros leais ao ex-presidente Morales aderiram ao bloqueio na região central de Cochabamba, onde chegaram a usar bombas numa colina para atirar pedras na estrada perto da cidade de Parotani.
Em La Paz, o sindicato dos professores dividiu-se em diferentes secções para bloquear as ruas e bloquear o acesso à cidade vizinha de El Alto, enquanto outros grupos marchavam pelo centro histórico da sede do Governo.
Os sindicatos também questionam este decreto porque pensam que abre a possibilidade de venda dos recursos naturais e das empresas estatais da Bolívia ao capital estrangeiro, algo que o Governo negou.
À tarde, espera-se que o Governo e o líder da COB continuem a consulta iniciada ontem e que, segundo o ministro da Presidência, José Luis Lupo, na quarta-feira, decorreu num “ambiente muito bom” e permitiu a possibilidade de um “acordo preliminar”.
Já o líder máximo da COB, Mario Argollo, mineiro, disse que o sindicato deve ser informado sobre o andamento da discussão para poder voltar às negociações hoje.
O vice-ministro da Autonomia, Andrea Barrientos, disse aos meios de comunicação que pretende fazer “modificações” nos 35 artigos do decreto e que a retirada dos subsídios será mantida.
A Câmara Nacional da Indústria (CNI) estima que 60 milhões de dólares são perdidos todos os dias nos bloqueios de estradas, que Barrientos declarou que os setores mobilizados “têm o direito de protestar”, mas não “infringir” ou “atrapalhar o trabalho de outros bolivianos”.
Os protestos também contam com o apoio do vice-presidente do país, o ex-policial Edmand Lara, que mantém uma relação tensa com Paz e em dezembro se declarou uma “oposição construtiva”.















