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Guterres alerta que a Carta da ONU “não é um menu à la carte”: “O direito internacional está minando diretamente”

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O alarme sobre a deterioração do Direito Internacional e a sua transmissão global em tempo real marcou o discurso de António Guterres perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, onde referiu que estas violações são mostradas “no ecrã, ao vivo e em 4K”. Guterres alertou que a tendência de alguns líderes de decidirem cuidadosamente quais regras internacionais obedecer ou não respeitar é uma ameaça à estabilidade internacional. A intervenção, detalhadamente explicada pela Europa Press, incluiu a reiteração por parte do Secretário-Geral da obrigação de cumprir a Carta das Nações Unidas na sua totalidade e sem exceção.

Conforme noticiado pela Europa Press, Guterres insistiu que a Carta da ONU é “um acordo que nos une a todos”, negando parte das suas obrigações. “Não é um menu à la carte, é um menu fixo”, disse perante os representantes internacionais, sublinhando que este documento apoia a paz, o desenvolvimento sustentável e a protecção dos Direitos Humanos. Para o Secretário-Geral, as ações que não levam em conta o ordenamento jurídico estabelecido, independentemente da sua justificação, criam um precedente que ameaça o equilíbrio global.

Durante o seu discurso, Guterres manifestou a sua preocupação com o declínio dos padrões internacionais e explicou que estas violações não estão escondidas, mas sim aos olhos do mundo, aumentando a perturbação do sistema jurídico que regula as relações entre os Estados. Enfatizou que a selecção injusta de princípios e regras internacionais não só enfraquece a segurança actual, mas promove a instabilidade e o conflito no país.

A agência de notícias Europa Press referiu que o Secretário-Geral fez estas declarações durante a apresentação das suas prioridades para o ano de 2026 perante a organização internacional. Neste contexto, instou os Estados membros a respeitarem a Carta das Nações Unidas “total e fielmente”, com o total compromisso de respeitar todas as suas disposições, “sem exceção, desculpa ou hesitação”. O seu apelo insistia que os documentos fundadores devem orientar a tomada de decisões colectiva e evitar interpretações selectivas que comprometam a sua autoridade.

Guterres concentrou parte da sua mensagem nas crises humanitárias e na manutenção proativa da paz, citando como exemplos a situação em Gaza, na Ucrânia e no Sudão. Segundo a Europa Press, o secretário-geral apoiou o avanço do plano proposto pelos Estados Unidos para a Faixa de Gaza, que visa a destruição do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Embora tenha saudado o anúncio de uma “fase 2 de cessar-fogo” por parte das autoridades norte-americanas, insistiu que a ajuda humanitária é necessária para que a região permaneça incontestada. Disse que a plena implementação do cessar-fogo e a abertura do caminho reconhecido pelo Direito Internacional para a solução de dois Estados são ações obrigatórias para a estabilidade regional.

Relativamente ao conflito na Ucrânia, Guterres apelou a todos os esforços possíveis para acabar completamente com as hostilidades e estabelecer uma paz verdadeira e duradoura. Confirmou, conforme noticiado pela Europa Press, que o processo de paz e as decisões emitidas pela organização devem estar alinhados com a Carta das Nações Unidas, estabelecendo estes princípios como um guia necessário para todas as negociações.

Relativamente à crise prolongada no Sudão, o Secretário-Geral apelou à cessação imediata das hostilidades entre o Exército e as Forças de Apoio Rápido (RSF), bem como a retomada do diálogo destinado a estabelecer um cessar-fogo duradouro. Guterres vinculou a resolução do conflito sudanês a um forte compromisso de restaurar o processo político e reiterou a vontade das Nações Unidas de ajudar a construir uma solução para garantir a estabilidade no país africano.

O discurso perante a Assembleia Geral, informou a Europa Press, expressou a preocupação das Nações Unidas não apenas com a legalidade das normas internacionais, mas também com a tendência de interpretá-las sem consequências imediatas. Para Guterres, a autoridade da Carta não permite interpretações parciais e o desvio dos seus princípios abre a porta à crise e à incerteza. O Secretário-Geral defendeu que um mundo mais seguro e justo não é possível sem o pleno respeito dos compromissos legais, eliminando assim qualquer tentação de reinterpretar o sistema multilateral com base em interesses transitórios ou em períodos temporários.



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