Já faz muito tempo, segundo sua explicação, que ele não reunia condições para trabalhar na Argentina. Sua carreira foi passada principalmente no exterior e quando ele não estava em turnê René Lavanda Ele morava em Tandil com sua última esposa. Ele deu aulas de ilusionismo em um antigo vagão de trem que havia sido convertido em uma sala mágica. Ele chamou: Pernas de ferro. Mas um dia ele pegou pneumonia e morreu. Ele tinha 86 anos e uma carreira que o tornou um líder mundial em magia com cartas.
A sua, acima de tudo, é uma história de melhoria. Nasceu em Buenos Aires em 24 de setembro de 1928. Seu pai, Antonio, era caixeiro-viajante e sapateiro; sua mãe, Sara, é professora. Ele, por outro lado, sabia que queria ser ilusionista desde criança. Isto aconteceu depois de testemunhar uma apresentação de um mágico panamenho de ascendência chinesa que se apresentou como O Grande Chang. Ele ficou surpreso naquela noite e decidiu que nunca desistiria.
Mas ele não sabia que destino o esperava. Em 1937, durante o carnaval de Coronel Suárez – para onde a família se mudou em busca de melhores oportunidades econômicas – um menino de 17 anos que dirigia um carro sem licença o atropelou enquanto ele brincava na rua. Seu braço direito foi esmagado pelo volante do carro. Ele sobreviveu milagrosamente, mas os médicos tiveram que amputar sua mão. Eu tinha 9 anos então.
Para todos, este episódio será a realização de um sonho. Ainda mais sobre ele: é destro e perdeu a mão. Porém, depois de aprender a comer, escrever e até remar com a mão esquerda, René começou a fazer demonstrações com cartas. Aos 14 anos morou em Tandil, longe do cenário portenho que pensava que um dia conquistaria. A partir daí começou o trabalho do paciente que definiria sua prática.

Mo não teve escolha a não ser aprender sozinho. Passei horas com o livro magia de cartasde Joan Bernat e Esteban Fábregas, porque nenhum professor poderia ensiná-lo a manusear um baralho com uma mão, muito menos com a esquerda. Ninguém apostou nele. Até a família dele. Seu pai, falecido em 1955, demonstrou certo alívio ao encontrá-lo trabalhando como bancário, onde se sentia confortável contando dinheiro e digitando.
Lavand não deixou de acreditar. Um colega, que muitas vezes o divertia com suas travessuras, incentivou-o a se apresentar e ajudou-o a fazer contatos no Hotel Continental. A consagração veio quando ganhou um concurso de ilusão em Buenos Aires. A partir daí abriram-se para ele as portas dos principais teatros de Buenos Aires como o Nacional e o Tabarís e pouco depois apareceu na televisão com Juan Carlos Mareco e seu inesquecível aniversário O espetáculo do Pinóquio.
Foi ótimo vê-lo se apresentar. Não foi apenas o truque, mas a história que o acompanha. Suas mãos primeiro se moveram rapidamente e depois lentamente. “Você não pode desacelerar”, disse ele.enquanto o povo, olhando cada carta, não conseguia encontrar o segredo. A ilusão acaba se estabelecendo como verdade.
Sua fama ultrapassou fronteiras. Depois de uma etapa no México, viajou por diversos países da América Latina até chegar em Las Vegas, onde chamou a atenção do famoso apresentador. Ed Sullivanque o convidou para seu programa. Lavand sabe que sua presença surpreende (“É estranho ver uma bruxa armada”, disse ele), mas também bastam alguns minutos para que o talento esqueça todos os limites.

O mesmo vale para as mulheres. René fez com que eles se apaixonassem “magicamente”.. Foi casado três vezes: primeiro com Sara, mãe de Graciela e Júlia; depois com Norma, com quem teve Lauro e Lorena; e finalmente com Nora, vinte anos mais nova, com quem passou os últimos anos de sua vida.
Ao contrário de outros ilusionistas de hoje, como David Copperfieldque viajava muito, Lavand não precisava do terno preto, do cigarro, da taça de vinho e do cartão. Como tal, fez digressões pela Suíça, Espanha, França e Alemanha. Mas com o passar do tempo, as oportunidades na Argentina diminuíram. Continuou a ser uma referência – em 2002 actuou urso vermelhode Adrián Caetano—, mas abandonou o espetáculo local e refugiou-se totalmente em Tandil, onde faleceu no mesmo dia de hoje, há onze anos.















