O Ministro da Defesa de Entre Ríos, Nestor Roncagliadeu detalhes chocantes sobre o que foi dito drogas para matá-lo, o juiz federal Leandro Ríos e o promotor Ignácio Candioti que interveio no caso do traficante Leonardo Airaldi. A investigação, denominada “ameaças e planos de ataque”, está organizada na Justiça Federal de Gualeguaychú e tem a seu favor o juiz Hernán Viri e o promotor Pedro Rebollo.
Conforme confirmado pelo próprio Roncaglia, a informação vem de depoimento de três presos internados na Unidade Penal 9 de Gualeguaychú. Entre eles está Gustavo “Tavi” Celis, outro preso com histórico de tráfico de drogas, que solicitou audiência na Justiça e testemunhou sem cautela.
“Mostraram a cara, deram os nomes e disseram o que pretendem fazer no grupo 9”, disse o ministro em declarações à imprensa. Rádio Mitre.
A denúncia causou alarme no governo provincial. “Quando tomamos posse em 2024, trouxemos o objetivo de combater o tráfico de drogas. Estes são os resultados de pisar em calosidades » disse Roncaglia, que enfatizou que a cooperação com a Justiça Federal permitiu avanços na investigação que até agora pareciam intocáveis.
De acordo com os testemunhos recolhidos, O intelectual autor do plano, Airaldi, foi preso e enfrentará novo julgamentoeu. O traficante pode ter manifestado a intenção de retaliar o juiz federal Leandro Ríos, que investigou um dos casos contra ele, e o promotor federal Ignacio Candioti, responsável por sustentar as acusações em sustentações orais.
O esquema envolveu o envolvimento de assassinos uruguaios na execução dos crimes em Punta del Este. Contudo, os funcionários judiciais nunca se deslocaram ao país vizinho, inviabilizando assim esta parte do plano.
O ministro disse que, segundo depoimentos colhidos na Unidade Penal 9, os organizadores do ataque tiveram contato com pessoas no Uruguai e até isso. “Falou-se em pagar US$ 40 mil pelo crime.” Nesse contexto, citou uma frase atribuída a um dos presos: “Foi mais caro matá-los aqui.”

Roncaglia associou isto a um misto de surpresa e ironia, mas destacou a importância do pano de fundo: a naturalidade com que se discutiram preços, logística e acordos internacionais para matar os responsáveis. De acordo com sua explicação, Ainda não há pistas concretas sobre os supostos assassinos, mas haverá pistas sobre conexões e dinheiro adiantado.
Mas a ameaça não parou por aí. Roncaglia também estava entre os alvos. “Eles fizeram inteligência sobre mim. Este ano fui de moto, sozinho, até uma casa rural a dez quilômetros do Paraná. Eles sabem disso. Quando ouvi esta notícia, disse: ‘É real’, disse o ministro. De acordo com sua explicação, O ataque contra ele incluiu dois ataques de carro: em uma caminha o assassino e na outra carrega um recipiente com cal para eliminar vestígios biológicos após o crime.
A completude dos detalhes – incluindo as ações rotineiras dos policiais – deu credibilidade às declarações dos presos. “Não que alguém diria que eles são uma vantagem no trabalho. Isso não deveria acontecer. É frustrante, porque só estamos lidando com atividades ilegais que causam muitos danos”, afirmou.
Roncaglia também examinou as origens do caso Airaldi. O réu, pecuarista e ex-presidente da Associação Rural Diamante, trabalhava na região entre Paraná, Vitória e Diamante.. Segundo o ministro, ele mantinha vínculos com grandes organizações criminosas, entre elas a quadrilha Rosário conhecida como O macaco.

“Ele se achava intocável. Quando foi preso disse que era um procedimento e que sairia em poucos dias”ele se lembrou. No entanto, a acumulação de provas e ligações a outras apreensões de drogas – incluindo um carregamento de 30 quilos de cocaína apreendido em Santa Fé – complicou a situação.
Em 2024, foram realizadas 40 operações e mais de dez pessoas foram presas. Desde então, Airaldi está hospedado na UP9, um presídio federal. A associação com outros traficantes criou conflitos internos que, segundo fontes, teria desencadeado as revelações.
“Amanhã começará o julgamento de Airaldi e da empresa”, disse Roncaglia. Foi solicitada a transferência para uma prisão federal de segurança máxima, possivelmente em Ezeiza, embora a decisão final dependa de uma audiência oral de intervenção.
Depois de saber da existência desta ameaça, foram dadas ordens para reforçar a segurança do ministro e das autoridades judiciais. A Polícia Federal defendeu diretamente os juízes e promotores, enquanto a Polícia de Entre Ríos deu apoio. Os prisioneiros que testemunharam também foram escolhidos para proteger a sua integridade.

Questionado sobre possíveis relações com organizações estrangeiras, Roncaglia relembrou a história da cooperação internacional no combate ao tráfico de drogas. Durante sua gestão como chefe do Departamento de Drogas Perigosas da Polícia Federal, participou da operação “Bovinas Blancas”, que permitiu a apreensão de mais de duas toneladas de cocaína em Bahía Blanca e a destruição de uma rede ligada ao Cartel Mexicano de Nova Geração de Jalisco, liderado por Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo “El Mencho”.
“A base do tráfico de drogas está em todo o mundo, é uma atividade criminosa que movimenta muito dinheiro, por isso devemos estar atentos”, afirmou.
O caso de ameaças e ataques planejados continua sendo totalmente investigado. Ao mesmo tempo, o governo provincial apresenta o caso como um exemplo de que o progresso do sistema de tráfico de drogas provoca fortes reacções, mas também resultados concretos. “Continuamos trabalhando. Eles não vão nos assustar”, concluiu Roncaglia.















