O impacto do embargo petrolífero imposto pelos Estados Unidos e os frequentes cortes de energia afectaram directamente a capacidade da população cubana de aceder a serviços básicos, como alimentação, água e saúde, segundo as Nações Unidas. Neste contexto, o Governo do Brasil confirmou o envio de doações de alimentos, junto do Programa Alimentar Mundial (PAM), que visa ajudar a ilha face à crise alimentar que se agravou desde o início do ano.
Conforme detalhou a Folha, o Itamaraty anunciou que, nos próximos dias, chegarão a Cuba um total de 20,8 mil toneladas de alimentos. As doações são de 20 mil toneladas de arroz, 150 toneladas de feijão preto, 150 toneladas de arroz polido e 500 toneladas de leite em pó. Segundo a Folha, esta carga partiu para Cuba em resposta à difícil situação causada pela ameaça e recente escassez de hidrocarbonetos que vive o país caribenho após a intervenção militar dos EUA na Venezuela, principal fornecedor de petróleo de Havana.
O compromisso do Governo brasileiro, segundo a mídia citada anteriormente, não se limita a este evento específico: a ajuda alimentar se soma à remessa anterior de medicamentos enviada por Brasília, também comunicada de forma coordenada com o PMA. As autoridades brasileiras acreditam que a cooperação internacional, sob a égide da ação humanitária, é fundamental para reduzir os efeitos negativos das restrições energéticas e comerciais.
O alerta das Nações Unidas sobre a situação em Cuba foi reafirmado. A agência das Nações Unidas salientou em vários relatórios recentes que o embargo ao petróleo dos EUA, que foi reforçado até ao início de 2026, causou falhas significativas em diferentes sectores. Um dos resultados visíveis no cotidiano dos moradores é o apagão parcial ou total em diversos pontos do país. Esta semana foi registrado até o colapso do sistema de distribuição de energia, que retornou gradativamente até a completa restauração do Sistema Elétrico Nacional.
Segundo informações recolhidas pela Folha, a crise energética afetou diretamente a capacidade das autoridades cubanas de garantir o acesso constante a bens básicos como alimentos ou medicamentos. O funcionamento dos hospitais, centros de abastecimento de água e serviços básicos teve de ser constantemente ajustado face às dificuldades logísticas causadas pela falta de hidrocarbonetos.
Parte dos alimentos fornecidos pelo Brasil, conforme destaca o Ministério das Relações Exteriores citado pelo jornal Folha, busca amenizar as consequências da crise. 20 mil toneladas de arroz juntamente com feijão preto, arroz polido e leite lácteo, compõem a cesta nutricional básica, destinada a atender às necessidades da população mais afetada pela escassez e pelos efeitos da crise energética.
A Folha informou que a distribuição desta ajuda será feita através da infra-estrutura existente do Programa Alimentar Internacional na Ilha, e será dada prioridade às comunidades mais vulneráveis. O software do PMA permite o transporte e armazenamento eficiente de mercadorias, em cooperação com as autoridades locais.
No plano internacional, a cooperação do Brasil com Cuba, que se transmite no âmbito do PAM, representa mais um esforço na resposta humanitária de países e organizações no atual período de tensões geopolíticas, restrições económicas e crise energética que a ilha vive desde o início do ano.
A Folha destacou, segundo dados do Itamaraty, que esse novo item humanitário reforça a política de Brasília de ajudar países gravemente afetados por condições econômicas e barreiras internacionais, especialmente quando a segurança alimentar e a saúde pública estão em risco. De acordo com a notícia publicada pela Folha, a expectativa é que a mercadoria chegue nos próximos dias, para que a distribuição possa começar.
A operação brasileira conta com apoio material do PMA, organização com experiência em atuação em emergências alimentares e sob a autoridade das Nações Unidas. O principal objetivo é garantir rapidamente a assistência às zonas mais vulneráveis, com prioridade para as crianças, os idosos e as famílias identificadas pelas agências humanitárias como particularmente vulneráveis devido à atual emergência.
A reportagem da Folha destacou ainda que a pressão causada pelo embargo petrolífero, aliada à diminuição do abastecimento da Venezuela após a intervenção militar dos EUA, levou a uma crise sem precedentes no acesso à energia em Cuba, intensificando as dificuldades no armazenamento e preparação de alimentos, bem como no funcionamento de centros de saúde e escolas.
Desta forma, o fornecimento de alimentos ao Brasil é uma das maiores entregas de bens básicos feitas da região a Cuba nos últimos meses, num contexto internacional marcado por alertas e apelos das Nações Unidas à comunidade para mitigar o impacto humanitário resultante de sanções e obstáculos permanentes.















